Paisagem Paulista I

Era possível ver as luzes que se distanciavam e, num longo arco ascendente, ganhavam altura na noite longa e se perdiam na distância.
 
No terraço, onde nos apertávamos, as pessoas passavam céleres, indo, voltando e chegando; e nós ali fitando as luzes que iam e vinham.
 
No enorme piso quadriculado que se estendia logo abaixo, figuravam as pessoas. As peças de xadrez se movimentando, certamente imaginadas pelo gênio que criou aquele piso preto e branco, exaustivamente imitado e repetido.
 
Na noite calma, era ali que ficávamos muitas vezes juntos. Apenas vendo; apenas esperando. Cada um de nós chegando um ao outro, como que tomados pela essência daquele lugar.
 
O café fumegante na minúscula chávena, trazia algo de mais distante para nós, como a nos confortar de não sermos também aqueles que partiam ou chegavam. Queríamos apenas ser aqueles que apenas estavam.
 
A noite propícia nos envolvia com suas promessas e as luzes errantes de certa forma também nos levava ou levava nosso pensamento para terras distantes.
 
Após algum tempo, descíamos pela escada calmamente em busca do estacionamento e aí sim partíamos plenos, agora um no outro de chagadas e partidas.
 
Aeroporto de Congonhas.