Largo do Arroz – Água Rasa

Meu avô Manuel Bernardo, português da Província de Trás-os-Montes, chegou ao Brasil por volta de 1915 e veio morar no bairro da Água Rasa.
 
Em Portugal, era jornaleiro e aqui no Brasil, como um batalhador incansável, adquiriu uma carroça e um burro e começou a vender verduras e legumes de porta em porta.
 
Contrariando as piadas sobre portugueses, rapidamente expandiu suas atividades comerciais e passou a comprar em grande quantidade dos Chacareiros do bairro e a mandar direto para o Porto de Santos, onde a mercadoria era despachada para o Rio de Janeiro e distribuída aos comerciantes da capital da república.
 
Em meados da década de 1920, abriu sua venda de secos e molhados na Av. Álvaro Ramos (Casa Arros), esquina com a Rua Serra de Jaire, tornando-se um comerciante que junto com outros imigrantes portugueses deram início ao progresso do Bairro.
 
Além do Cine Vitória, que todos os moradores dos bairros limítrofes vinham para suas sessões noturnas e a famosa matinê aos domingos, sempre apresentando lançamento de filmes, os famosos seriados da época e os artistas da Caravana do Perú que fala (Silvio Santos).
 
O bairro da Água Rasa tinha também o tradicional "Ganha Pouco", que entregava com carroças as compras de alimentos dos moradores da Vila Formosa, Vila Diva, Vila Carrão, Sapopemba e Jardim Santa Adélia.
 
Tivemos também no bairro a famosa Casa Manilha, no comecinho da Av. Regente Feijó, em que o dono era o Silvio Santos da época.
 
Nossos pais iam pagando um pouco por mês, de Janeiro a Dezembro, e na época do Natal estava garantido o presente do Papai Noel. Era também onde todos no bairro compravam seu material escolar.
 
Meu avô teve a Casa Arros até 1959. A partir da década de 60, no mesmo local, e tem até hoje, abriu um bar e restaurante.
 
Em sua memória, o largo que fica no quadrilátero da Av. Álvaro Ramos, Rua Demétrio Ribeiro, Rua Marechal Barbacena e Rua Serra de Jairé, leva o nome de Largo do Arroz.
 
Por favor, não estranhem a ortografia Casa Arros, pois na época, Arroz se escrevia Arros, com "s" no final.
 
Conhecido no bairro como Sr. Arroz, pelo nome do seu comércio e também pelo enorme saco de arroz que ficava na porta do seu estabelecimento, desde os anos 70 até seu falecimento, em 1984, passou a ser chamado de Velho Arroz.