Carências da velhice

De um momento para outro, a especulação imobiliária foi tirando as famílias dos sobradinhos da Pompéia, e criando uma nova maneira de morar. Além disso, as grandes distâncias na nossa querida cidade e o trânsito caótico, que piora a cada dia, estão evidenciando um novo papel social, de extrema importância para as idosas.
 
Morar sozinha por opção, ser ainda ativa, torna vital a colaboração daquele rapaz, indispensável nos condomínios, que é o “faz-tudo” – como apelidei carinhosamente. É praticamente impossível chamar os filhos a toda hora e imaginem ir de um bairro a outro, no horário de pico, para atender à mamãe num probleminha do dia-a-dia.
 
Precisamos de ajuda para trocar uma lâmpada; mudar um móvel de lugar; tirar ou guardar coisas no armário lá em cima; abrir latas, potes e garrafas; ajustar a temperatura do chuveiro, e mais mil e uma coisas que surgem a todo o momento e que nos fazem reconhecer nossas atuais limitações.
 
É verdade! Apesar de toda nossa boa vontade, não podemos subir em escadas, não temos mais força nas mãos, não conseguimos carregar peso, entre outras coisas…
 
Fazemos o que nos é possível e ele, o faz-tudo, agora nos parece o neto habilidoso que, gentilmente, quebra nossos pequenos galhos.
 
Ao Carlinhos e a todos os outros que desempenham com carinho essa função nesta paulicéia desvairada  –  como dizia nosso poeta Mário de Andrade -, o meu muito obrigada e que Deus os abençoe.