Joguei bola em diversos times de várzea. Hoje o pessoal joga futebol, naqueles tempos a molecada jogava bola. Parece tudo a mesma coisa, mas não é. O jogo de bola, a pelada, tem suas regras criadas no momento, não tem impedimento (banheira vale e vale muito), se não tem goleiro, reduz-se o gol pra “garrafa” e um bloco de concreto faz às vezes de arqueiro (embora não tenha arco). A bola pode ser dos mais diferentes formatos, talvez o mais comum seja o oval, só quando já está meio quadrada que não dá jogo (mas tem uns que jogam, por mais quadrada que esteja); chegamos a jogar até com potinhos de iogurte. Era a bola!?
Nos timos que joguei, aí a coisa já era mais ou menos séria (disputei vários torneios no campo da FRUM, na Vila Maria, por exemplo; no ABC, joguei no Alvinegro, no Parque Oratório e no Nacional, disputei torneios em Taubaté; disputei o campeonato amador de São Paulo por um time de São Mateus), mas, ainda que organizados, com uniformes completos e até bandinha tocando pra incentivar, o jogo não perdia a alegria. Driblar era preciso.
Uma vez fui convidado pra bater uma bolinha em um time recém formado e, no primeiro jogo, contra o Flamenguinho do Jardim Elba, perdemos por 2 a 1. Fiz dois gols, pena que um foi contra (eu brincava na ponta esquerda; me meti a zagueiro no final, pra “reforçar” a defesa, e desempatei o jogo). O time acabaria aí; o resultado desanimou a turminha, principalmente o zagueiro – bom de bola – chamado Solera (já falecido). Mas, na sede (Bar do Raí) alguém disse que o time, então sem nome, não poderia melar por causa de um mau resultado, foi daí que passamos a chamar o time de “Melô” Futebol Clube e fechamos um acordo: o dia que o time perdesse um jogo, nós acabaríamos com ele.
Ficamos invictos 26 partidas; perdemos a 27ª e o time encerrou suas atividades. Melou de vez!
Pena, ficou na saudade.
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