Domingo, dia 15/06, meu amigo e redator de humor para televisão Magalhães Jr. foi à Feira de Antiguidades do bairro do Bixiga e acabou encontrando um exemplar original do Troféu Roquete Pinto.
Acabou comprando a estatueta de bronze maciço, que infelizmente (ou não) está desprovida da placa de identificação. Ou seja, ele não sabe a quem pertenceu o troféu.
Criado em 1950, inicialmente destinado aos destaques das rádios de São Paulo, é a mais antiga premiação da televisão brasileira, passando a ser entregue a partir de 1952. A premiação teve ao todo 26 edições.
A primeira entrega do prêmio aos profissionais de televisão ocorreu no dia 16 de dezembro de 1952, sob organização da ACRESP (Associação dos Cronistas Radiofônicos do Estado de São Paulo). Todos os premiados eram ligados à TV Tupi, até então a única emissora de São Paulo.
Foram eles: Dionísio Azevedo (Melhor Produtor de TV), Cassiano Gabus Mendes (Melhor Diretor de TV), Lima Duarte (Melhor Ator), Lia de Aguiar (Melhor Atriz), Walter Stuart (Prêmio Especial), Francisco Alves (Prêmio Saudade) e Edgar Roquete-Pinto (Menção Honrosa).
A entrega do prêmio passou a ser exibida ao vivo pela TV Record e TV Paulista. Em 1960, foi instituída a “Galeria de Ouro” do Troféu Roquete Pinto, destinada aos profissionais que obtivessem seis premiações, incluindo rádio e televisão. Ao entrar na “Galeria”, o profissional não poderia mais concorrer nos anos seguintes, sendo considerado hours concours. Entretanto, esta regra foi extinta em 1967.
Em 1968, o Ministério da Educação e Cultura também criou um “Prêmio Roquete Pinto", destinado aos melhores roteiros cinematográficos do Brasil. O valor inicial do prêmio correspondia a cinco mil cruzeiros novos (NCr$5.000,00).
Em 1971, a TV Record decidiu suspender a premiação, voltando a realizá-la somente em 1978. Desta vez, além da rádio e da televisão, o prêmio passou a ser entregue também aos profissionais da indústria, da publicidade e da educação. A última edição do Troféu Roquete Pinto foi realizada no ano de 1982.
Esse troféu que foi por muitos anos aguardados, festejados e cobiçados pela maioria dos profissionais de radio e televisão, com o passar dos anos tornou-se “carne de vaca”, e, à medida que a antiga Televisão Record deixou de ser a emissora líder de audiência, como acontece com todo troféu e premiação dada aos melhores profissionais do ano, foi aos poucos caindo no esquecimento, até do próprio premiado ou contemplado.
Muitos dos grandes artistas que foram homenageados com esses prêmios, anos depois, viveram esquecidos e alguns até morreram na miséria ou mesmo abandonados.
Na realidade, seus ganhadores é que deveriam estar para sempre, com muito destaque no coração do povo brasileiro, ou, pelo menos, lembrados para sempre em um espaço especial nos lugares onde eles trabalharam e deram seus talentos e seus dons a serviço do Ibope e do faturamento comercial da mesma, pois, quando uma emissora quer acabar com um programa, ela bota todo o elenco “na rua” sem se importar se o mesmo tem troféu ou não.
Vai ver que esse Roquete Pinto, sem dono, hoje em poder do meu amigo Magalhães Jr, pertenceu a alguém que foi posto “na rua” por alguma emissora que ele tenha trabalhado por muitos e muitos anos… E olha, eu conheço um monte de gente que passou por isso, nesse nosso Brasil sem memória.
Acho que a grande relíquia mesmo será sempre o ganhador e não o Troféu, pois o mesmo não vive, não tem família, não come, não sente fome nem solidão e nem valeria nada se não fosse valorizado pelos méritos do seu ganhador.
Acho que todo o troféu de premiação de celebridades deveria ser de ouro maciço, assim ,quando o tempo e o sucesso passar e a idade chegar, ele e seus familiares poderão vendê-lo por um bom preço, e, com isso, não passar fome.
Quanto a mim, agradeço a Deus por ter deixado a televisão, bem antes que a mesma me deixasse.
Prezado Magalhães, cuide desse antigo e precioso troféu, coloque o mesmo em um local de destaque, e mande gravar, no espaço em branco do destinatário o seguinte texto:
“Troféu Roquete Pinto do Sofrido e Esquecido Artista Brasileiro”.