Álbum de figurinhas

Nos últimos anos está sendo comum recebermos um encarte com os jornais, no meu caso, no jornal “O Estadão”, um álbum com figurinhas, ora é do Campeonato Brasileiro, ora da Copa do Mundo a cada quatro anos e, sinceramente, simplesmente encosto e vai para o monte de jornal para reciclagem, inclusive uma amostra de meia dúzia de figurinhas; mesmo sendo um álbum de uma cartonagem de primeira e colorida, fora do comum de bonito, nem sei como classificar, mas um luxo, nunca dei importância, mesmo porque os jogadores que vinham estampados nas fotos com a camisa do clube, quando o álbum era distribuído, muitos desses jogadores já estavam em outro time, ao contrário de antigamente, quando os jogadores ficavam mais tempo em um time.
 
Este ano, precisamente no dia 6 de abril de 2014, domingo, novamente veio um encarte com um álbum da Copa do Mundo de 2014 e não sei por que, conversando com minha esposa, falei que ia colecionar; mesmo porque os jogadores devem estar a maioria na Copa e vou tentar colecionar as figurinhas, mas notei que nenhum deles oferece um prêmio sequer, ao contrário dos antigos álbuns.
 
E, concomitantemente, nessa segunda semana de abril, recebi um telefonema de um amigo que mora no Jardim São Luiz, como nós, há mais de 50 anos, de que dia 10 de abril de 2014 daria uma entrevista para a TV Record, no programa Esporte Fantástico, às 10h, comandado pelos apresentadores Mylena Ciribelli e Reinaldo Gottino, e reportagem da Janice de Castro, como um dos grandes colecionadores de álbum de figurinhas, desde 1930, Genival Mouzinho de Pontes, conhecido como Dida, que inclusive foi repórter do jornal “A Gazeta de Santo Amaro”, junto com o repórter fotográfico de saudosa memória, Tico e Dida. Como repórter tem várias figurinhas assinadas por grandes jogadores, como Pelé, Garrincha, Zito, Vavá e outros.
 
Fiquei atento a esse horário do programa e pude comprovar a beleza de material, pena que essa reportagem foi de apenas 5 minutos e a entrevista na casa dele foi de 3 horas, disse a ele que é assim mesmo; também dei uma entrevista para o Jornal Hoje, JH, da TV Globo, de 30 minutos, sobre o último bonde em Santo Amaro, e passou apenas 2 minutos, para a repórter Neide Duarte.
 
Mediante esse fato, disse a ele que assisti a reportagem, porém tal acontecimento ele nunca tinha comentado comigo. Convidei-o para vir a minha casa e entreguei a ele alguns álbuns que tinha: cerca de quatro álbuns, três da seleção brasileira e um envolvendo os times do Rio de Janeiro e São Paulo de 1963.
 
Esse álbum, com o titulo de “Balas Federação”, da empresa gráfica Mario Benassi, que ficava na Rua Antonio de Barros, 1106, fone 9-0455, ainda a “manivela”, composto de 15 times de futebol de São Paulo e Rio de Janeiro, que na época eram os “mandachuvas”, termo esse em desuso hoje em dia, sua capa era um goleiro fazendo uma “ponte” com a bola entrando no ângulo.
 
As figurinhas eram no tamanho 3×4 em papel comum, vinham não lembro se envolto em balas ou em envelopes pequenos e a forma de colecioná-las era comprando-as e/ ou jogando bafo, em qualquer lugar, nas ruas, em casa, na escola, troca, mas jogando bafo era melhor.
 
Nas disputas do jogo do bafo, havia muita divergência quanto à forma de jogar, uns tinham a malandragem de umedecer as mãos, outros de fechar a mão em forma de concha e prender a figurinha e virá-la, o início da “peleja” era ano par ou ímpar.
 
Os times que compunham esse álbum era por parte do Rio de Janeiro, CR Flamengo, Botafogo FR, CR Vasco da Gama, America FC, Fluminense FC. Os clubes de São Paulo eram: SC Corinthians Paulista, São Paulo FC, SE Palmeiras, Santo FC. Ferroviária de Esportes, Guarani FC, A.A. Portuguesa de Desportos, Taubaté FC, chamada de burro da Central, Prudentina FC de Presidente Prudente, onde tinha também o SC. Corinthinha, Botafogo FC e Comercial FC, ambos de Ribeirão Preto, onde tinha e ainda tem o clássico “Comefogo” muito comentado na época e outros.
 
O interessante nesse álbum era que no verso da página vinha os termos de premiação juntamente com a relação de prêmios, como geladeira, TVs, Rádio, vitrolas, bola de futebol, jogos de panelas, liquidificador, relógio Cuco, boneca, máquina de costura. Em um outro álbum que sumiu do meu controle de coisas “velhas” tinha mais times do Rio de Janeiro, como Madureira, Olaria, Bonsucesso, Bangu, São Cristovão, Canto do Rio e outros, e em São Paulo tinha ainda Jabaquara de Santos, Noroeste de Bauru, A.A. Portuguesa Santista de Santos, São Bento de Sorocaba, Paulista de Jundiaí, América de Rio Preto e outros e como esses times revelavam jogadores para os times da capital.
 
Enfim, nesse mesmo dia, um sábado, dia 12 de abril de 2014, o Dida veio a minha casa e recebeu esses álbuns como presentes, e os recebeu com tanta alegria e me disse: Estan, você está fazendo um menino de 70 anos sorrir como um de sete anos, tanto é minha alegria, pois esse veio completar minha coleção e um sonho que meu filho irá continuar com essa coleção.
 
Disse a ele que essas suas palavras são como se fosse um pagamento para mim pelo que estou lhe doando e fico contente, pois para mim é uma coleção incompleta como tantas que não consegui realizar e passo a alguém que irá cuidar e fez questão que eu assinasse a doação nesses álbuns.
 
Um fato é certeza: nunca consegui completar uma coleção, por causa das carimbadas que poucos tinham acesso ou sorte de encontrar, muitas vezes fiquei no quase, preenchi com selos, moedas, cédulas, jornais, revistas, bolinha de gude, Barsa, Reader’s digest e outros, mas vamos tocando a vida, mesmo porque o que não sei, ou não consegui, vou ao Google e pronto.