Seguindo a linha de raciocínio do Marcos Loureiro e do Nelson Coslovsky sobre nomes, na nossa família temos a tia Ana que teve oito filhos: Ana Maria, Ademir, Aquiles, Áurea, Angela, Anselmo, Arnaldo e Andreia, a caçula. Temos também meu primo o Marcos casado com a Maria Sueli com três filhas: Marcela, Mariana e Marília.
Na época da colonização aqui da região da Alta Paulista, meu pai tinha o primo Ronaldo e dois irmãos: o Alberto e Plínio. O Plínio foi o que desgarrou da família e mudou para Sampa ainda garoto, indo morar com um tio no bairro do Ipiranga. Passaram se os anos e o Ronaldo casou e teve o seu primeiro filho. Sua esposa a Mariazinha, como era tratada, pediu a ele que assim que fosse à cidade para registrar o rebento com o nome de “José Vicente de Carvalho”. No cartorário da cidade, diziam que lá era o local de reunião do pessoal, devido ao pouco serviço da época. E o primo do papai perdeu a manhã todo papeando e quase na hora do almoço é que veio a pergunta:
– Como vai ser o nome do garoto?
– Vicente de Carvalho respondeu Ronaldo.
O documento estando pronto foi guardado na gaveta do guarda-roupa e por lá ficou. Foi comunicado para toda a família e amigos o nascimento do “José Vicente”, que cresceu e assim foi chamado por todos. Estava para completar 14 anos e seu pai, Ronaldo, escreveu para o seu irmão em Sampa para ver se ele poderia arrumar um emprego na capital para o José Luiz.
Quinze dias para ir a carta e mais 15 dias para chegar a resposta, com o Plínio concordando para que o José Luiz fosse para Sampa que ele iria arrumar um emprego com um amigo, que tinha uma marcenaria lá no Ipiranga. O Plínio buscou o sobrinho na Estação da Luz, passando a morar com ele e a tia. Foi apresentado ao dono da marcenaria e já ficou trabalhando, aprendendo o ofício como lustrador de móveis como experiência, se aprovado seria contratado.
Depois de dois meses veio a confirmação que seria contratado e era para ele providenciar os documentos. Com a chegada da certidão é que foram descobrir que o seu nome não tinha o José. Só sei dizer que ele era apenas o “Vicente de Carvalho”, mas a maioria dos familiares chamavam ele por “José” (risos), e assim ficou pro resto da sua vida.
O meu nome e sobrenome vieram dos meus avós José e Aureliano. Ainda pequeno a mamãe sempre dizia: “Se você quiser que todos te chamem de ‘José’, tem que estudar e ser médico, porque assim te chamarão de Doutor José, agora se não for médico te chamarão simplesmente de ‘Zé’”. E aqui estou eu o “ Zé Aureliano” com muita honra.
Abraços a todos.
“E agora José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?”
Drumond de Andrade