Amo flores, planto sempre, principalmente rosas. Mas as amarelas me são mais preciosas.
No pensionato da Av. Nazaré eu tinha três amigas inseparáveis: Regina, Nádia e Cida. Eram bem mais velhas do que eu. Regina trabalhava no Comind da Rua XV de Novembro; Cida era aposentada do funcionalismo público e Nádia trabalhava na Sunab. Nádia era nordestina e me chamava de "bichinha", termo carinhoso.
Íamos ver filmes juntas, ver Holiday on Ice e outros passatempos. Certo dia me fizeram uma surpresa. Era meu aniversário e quando cheguei no pensionato não havia ninguém, e tinha um recado para eu ir ao restaurante da esquina. Lá tinha um jantar surpresa e um lindo buquê de rosas amarelas. Outra vez me presentearam uma viagem para Poços de Caldas.
Nesse pensionato fiquei por cinco anos, de um lado era pensionato do outro era orfanato.
Morei também por um ano perto do hospital Leão XIII. Lá, certo dia, meu pai foi me visitar, e apesar do prédio ter apenas três andares, somente ele não quis ficar dentro do apartamento. Disse que tinha vertigens (pobre do meu velho;) foi lá embaixo pitar seu cachimbo já querendo ir embora (risos).
Na Rua Bom Pastor também havia outro orfanato. Naquele tempo já havia muitos órfãos; hoje então nem se fala… Órfão de pais vivos, pais que nem mereciam ter esse nome.
Fim de Verão,
Pela estrada vão sumindo,
As vozes dos amigos.