Ainda existem algumas mães com essa profissão, que prevaleceu durante muitas décadas em nossas famílias, nossa economia; toda vez que íamos preencher uma ficha de emprego ou tirar um documento qualquer vinha a pergunta: – Qual a profissão dos pais? A maioria dos casos a resposta da profissão da mãe era sempre: “do lar”, tinha uns que ainda diziam minha mãe não faz nada, mas o entrevistador com sua sapiência ou malícia respondia: – Como assim? Não faz nada! E vinha o sermão e a gente ficava espantado, realmente a nossa mãe trabalhava muito, só não era remunerada, registrada financeiramente, mas tinha o principal: o amor dos filhos e do marido.
Hoje, muitas delas ainda estão vivas e com idades avançadas, muitas já foram para a eternidade e muitas estão por aí aos cuidados dos filhos e netos e outras em asilos, com certeza muitas delas sem aposentadoria, pois não recolhiam a previdência social; bem diferente dos dias atuais onde a maioria recolhe a contribuição previdencial como empregada doméstica, autônoma, estudante, desempregado, só precisa criar um título.
Muitas dessas pessoas idosas ainda são do tempo que foi criado o INSS (os IAPs na época), pelo governo de Getúlio Vargas, e como tudo que é novidade muitos não acreditavam que era coisa séria, pagar durante trinta anos (para as mulheres) e depois receber o dinheiro de volta mensalmente. Aqui em casa mesmo meus pais contavam que muitos amigos e parentes que tinham a profissão liberal como pedreiro, carpinteiro e outros não admitiam pagar essa parcela, mesmo os empregados registrados que eram obrigados a recolher quando o desconto vinha no holerite, ficavam bravos, achavam um roubo, até acostumarem com a ideia, por isso ainda vemos muitas pessoas abandonadas pela cidade de São Paulo.
Principalmente após as décadas de 1990, praticamente não há mais essa “profissão do lar”, toda mulher de qualquer nível ao declarar alguma coisa que faça como empregada elas vão dizer algo como: sou costureira, cozinheira, comerciante, pajem, faxineira, artesã, “cuidadoras” de idosos, sem contar com as mulheres formadas com profissões tradicionais e regulamentadas em empresas nacionais e internacionais.
Uma metamorfose que poucos comentam sobre a falta de emprego no mercado brasileiro, coincidência ou não, na crise de fechamento das indústrias brasileiras na época do governo Collor, início dos anos 1990, houve também a grande migração feminina para o mercado de trabalho, principalmente pelo desemprego do cônjuge e isso foi se alastrando e o mercado aceitou a mulher com salário muito mais baixo que o do homem e na mesma profissão ou similar e com a vantagem da mulher ser mais dedicada, ter mais atenção, mais respeito e não faltar nas segundas-feiras, e isso concretizou essa nova mão de obra.
Isso se alastrou para todas as mulheres e as pesquisas de opinião sobre desemprego não prestou a atenção, pois a falta de emprego era encarada só para os homens e esqueceram que a mulher estava dirigindo ônibus, ônibus escolar, táxi, gari, operando máquinas operatrizes, só não vi ainda mulher coveiro (a), para resumir o assunto.
Podia se notar nesse período os bares lotados todos os dias da semana, praças, jardins e muitos com jornais nas mãos, principalmente o amarelinho, a procura de uma colocação, quando, principalmente, os trabalhadores de funções mais simples não conseguiram voltar mais ao mercado de trabalho com carteira assinada; ainda mais com a liberação da importação de máquinas que trabalham sozinhas e a contratação de mulheres para esse tipo de trabalho.
A partir do final do século XX e início do atual é claro e evidente o domínio da mulher em diversas atividades, na indústria, comércio, terceiro setor, faculdades e por incrível e lamentável que pareça no quarto setor, e sabemos que, dando oportunidade para o chamado sexo fraco, ela se torna igual ou pior que o homem quando quer fazer o mal, assim como fazer o bem, a igualdade praticamente está estabelecida.
A única diferença nesse começo de século é que ao invés da mulher do lar temos a mulher escrava em alguns casos, que parece vir crescendo muito, principalmente no NE, onde ela apanha, não pode sair de casa e tem medo de usar a lei Maria da Penha, por ciúmes do cônjuge, tanto pelo poder da posse da mulher como subjugado financeiramente, ou quem sabe ignorância e estupidez mesmo.