Não sei se em outros países há o folclore com palavras "chulas”, frases, orações, ditados populares e por aí vai, mas no Brasil e em São Paulo até com desgraças fazem piadas, infelizmente, o chamado humor negro.
Sei o que é migração e imigração, mas nos últimos meses, por motivos de negócios, fiquei sabendo o que faz um "gato”, até a expressão “gatonet”, já ouvi dizer em São Paulo e no Rio de Janeiro, são os fraudadores ou podemos dizer 171 (“ah”! tem o “gatoluz”, o que rouba energia; “gatosabesp”, o que rouba água). No passado, os imigrantes trabalhavam como escravos no Brasil, nas lavouras, nem gato era, uma posição abaixo do gato, pois não tinham mais a volta a seus países de origem.
Pois bem, desde muitos anos atrás nas grandes obras de São Paulo sabemos que os nordestinos vinham a trabalho e por aqui ficavam, deixaram e deixam suas marcas no metrô, estradas, rodovias, prédios, pontes, enfim, em todas as grandes obras de São Paulo.
Mas o gato nas obras atualmente é bem visível, pois sempre morrem soterrados e às vezes seus corpos não são encontrados, ficam então na morte presumida, suas famílias passando o famoso "pires", com auxílio bolsa tudo, as empreiteiras prometem assistência aos familiares com auxílio funeral, traslado, uma missa de sétimo dia, etc. e tal.
Como a cidade de São Paulo está passando por uma crise de mão de obra qualificada, o "pseudo empresário” (gato), nem todos, vai arrebanhar os nordestinos, ou seja, pegam os "roceiros”, tiram-nos de seus habitat, sem qualificação, pagam nada, dão comida, cama, e mandam ser pedreiros, pintores, carpinteiros, azulejistas, “ah”! Conheço um que diz-se um grande eletricista, mas nunca pegou um livro que fale sobre eletricidade, aliás, é semianalfabeto, sempre toma choques literalmente e direto, agora está com um problema na coluna e está aguardando a aposentadoria e voltar para a Bahia; ou talvez já tenha voltado (isso deu até rima, aposentadoria com Bahia, tem música com essa frase).
Pois bem, sigamos com a carruagem, nos canteiros de obras são amontoados e a função deles é só produzir direto, com um sol escaldante de 35 graus, nos altíssimos prédios em construção, batendo lajes, com a sensação de 40 ou mais graus de temperatura.
Os empresários "gatos" trabalham para as grandes e "famosas" construtoras de São Paulo e do Brasil, recebem sempre 50% a mais em cima dos nordestinos, pagam quando querem, como querem, escrevo nordestino porque a desigualdade social no Brasil é gritante e eles são a maioria, que saem de seus estados e sofrem muito aqui em São Paulo.
Sei de "empresários gatos" que tentaram arrebanhar os haitianos, pegaram oito daqueles que entraram pela porta dos fundos do Brasil, os oito deram problemas de toda ordem e natureza (lógico, o negócio deles é euro ou dólar), e lá passam fome e há muita miséria, termo francês, assim como os bolivianos também são gatos internacionais, os operários que morrem nas obras de São Paulo ficam somente nas lembranças dos seus familiares.
Gato sofre e muito em uma época de calor, sob o sol escaldante, com uniformes pesados, capacete, luva, protetor de ouvido, óculos, botas, ufa, já estou cansado, imaginemos eles no sol das 11h, 13h, 14h?
Tenho certeza de uma "coisa": gato só o felino mesmo, assim, longe de mim, pois suas patas machucam e muito. Quando criança fui arranhado por um, aliás, qual criança um dia não foi?
Construtoras do Brasil, cuidem de nossos operários, não façam escravos, não deem somente o básico para sobreviver, precisamos deles, qualifiquem-nos, deem a atenção que merecem, instruam-nos, sempre.
Saudações aos operários de São Paulo e do Brasil!