Sincera, amiga, autêntica, personalidade marcante que nunca deixava dúvidas pairando no ar, conselheira e orientadora, assim era o caráter da grande e querida atriz e vedete.
Conheci a Marly em 1963, quando ingressei no mundo do teatro de revista, já nos últimos suspiros do mesmo, dois anos depois, em 1965, após a morte do último dos grandes produtores de Revista: o saudoso J. Maia; o gênero acabou de vez. Ainda encenei ao lado dos também saudosos Lilico e a polêmica vedete Wilsa Carla, uma Revista no Teatro Natal, na qual fui premiado como revelação de cômico do ano pela Revista do Rádio, que na época fazia a premiação dos melhores do ano para o artista de teatro e shows noturnos. Esse prêmio eu recebi em uma festa no Palácio Mauá, em São Paulo, das mãos da querida Marly Marley.
Depois, em 1967, fui contratado pela TV Bandeirantes, que estava em clima de inauguração, lá voltei a contracenar com a Marly, também uma recém-contratada para os humorísticos da casa. Foi à época que a querida Marly conheceu o humorista e ator Ary Toledo, e com ele se casou vivendo esse longo romance conjugal de quase 46 anos. Com a morte da Marly, morre também uma grande parte da história do teatro de revista paulistano, onde ela imperou como vedete e estrela maior.
Descanse em paz, querida companheira, pois nesse momento você já superou essa difícil etapa da existência de todos nós que vivemos nesse mundo.
Sua última cortesia para com a minha pessoa foi aceitando um convite meu, compareceu a um encontro das redondas na Pizzaria do Bruno e do Jango, na Freguesia do Ó, onde depois de participar com a gente recebeu carinhosamente nossa homenagem traduzida em flores.
Isso depois de passar a tarde inteira na TV Record (na época) gravando o programa do Raul Gil, onde era jurada musical.
Assim era a grande Marly Marley. Existe alguma necessidade de falar mais?
Marly Marley – 1938 – 2014 – saudades.