Caros leitores deste magnífico site, todo "setentão" que se preza, nas proximidades de "feriado prolongado" e sem nada "pra fazer", procura "sarna pra se coçar" (pois escrever aqui não é mole não…) e então eu aproveitei (sem plagiar) um lindo texto que li nestes dias, infelizmente de autor desconhecido e "engatei o meu"… lá vai:<br><br>Sou do tempo, em que as pessoas atendiam ao telefone (aquele preto pesadão) dizendo: "PRONTO"… e os nossos irmãos portugueses, diziam e continuam dizendo: "ESTÁ LÁ???" Da molecada (e alguns adultos) rodeando nos estribos dos bondes, fugindo do cobrador pra não pagar os "duzentos réis", que era o preço da passagem quando eram ainda da Light and Power (antes de 1947)… e os cobradores ao receberem, puxavam "aquela correia" e vinha o som: "trim" (quando era um só recebimento, ou dois ou vários quando eram mais de um) e alguns passageiros gritavam: "trim, trim, 2 prá Light um prá mim…) o cobrador ficava "uma fera"…<br>Nos "bailes da vida", nas orquestras não havia guitarras ou "som estereofônico" o som era "tirado no gogó mesmo" (tanto dos instrumentos quanto da garganta, do chamado "crooner" (os nomes eram todos "americanizados", pois era a época dos famosos "band leaders", Glenn Miller, Tommy Dorsey e outros mais… nossas orquestras tinham no mínimo 20 excelentes músicos e executavam: samba, samba-canção, boleros, rumbas, até tangos, sem dever nada às grandes "bandas americanas" ou argentinas… tempo de Silvio Mazzuca, Severino Araújo (com sua orquestra Tabajara) Osmar Milani, Simonetti (com o impagável Edgard) já este, no tempo da introdução das guitarras…<br>Nos jornaleiros, imperavam os "Gibis", "Globo Juvenil Mensal", com seus personagens: Mandrake, Flash Gordon, Zorro (e o Tonto), Fantasma Voador, Tocha humana, Capitão Marvel, Bronco Piler, Príncipe Submarino, UFA!!!! e a gente lia com a maior satisfação…rsrsrsrs<br><br>As mulheres acreditavam que "nove entre dez "estrelas", usavam o sabonete Lever"… era fácil diferenciar as "meninas das moças", "mulher de senhora", "meninos de rapazes"… hoje é difícil pois todos e todas, se vestem iguais… meninos usavam calça curta até os 14 anos, daí em diante eram chamados "rapazes" e já ganhavam suas calças comprida…e saiam à caça das "namoradinhas"…<br>As famílias mais abastadas ouviam discos (aqueles de selo vermelho, geralmente importados dos EE.UU.) de 78' rotações… em suas "Rádios-vitrolas"…As mais pobres, ouviam só Rádio mesmo… discos somente uma vez ou outra na casa do amigo de família abastada… porém ricas ou pobres, toda família tinha a sua máquina de costura "Singer" e seu "escovão" para lustrar o assoalho… (enceradeira elétrica eram raras…)<br>Tomava-se o "Xarope São João", pois a Rádio sempre anunciava: "A TOSSE, BRONQUITE OU ROUQUIDÃO, FOGEM ATEMORIZADAS AO OUVIR FALAR DO XAROPE SÃO JOÃO…"<br>Francisco Alves, era o "rei da voz", Silvio Caldas, era o "caboclinho querido", Orlando Silva, era o "cantor das multidões", Carlos Galhardo, era o "rei da valsa", Vicente Celestino (entre outros), cantava com sua voz de tenor, "A ALZA ALZA MANOLITA" e todo mundo mudava a estação, pois diziam que "dava azar" escutar a "Manolita"…<br>Leônidas da Silva, "aplicava suas bicicletas" no recém inaugurado Estádio do Pacaembu (para o terror dos goleiros adversários, Bino, Oberdan, Caxambú e outros) e diziam que era o "bonde de duzentos contos de réis"…<br>Era tempo da cera Parquetina, do sanduíche Bauru, do Urodonal, do chá "das cinco", no Mappin ou na Vienenese, o Mackenzie era chamado de "Mackenzie College" e no cinema o sucesso era "E O VENTO LEVOU", com sua valente "Scarlett O'Hara" e o "fanfarrão Rett Butler"…<br>Era o tempo do "REPORTER ESSO", com a locução do Heron Domingues (que anunciou a morte de Carmen Miranda nos EE.UU. ("Atenção Brasil, morreu hoje em Hollywwod a cantora e atriz CARMEN MIRANDA…) Não me lembro se foi o Jatobá ou o Gontijo que "irradiou" em 1943("Atenção Brasil, o Presidente Vargas, acaba de declarar guerra aos paises do Eixo…) depois veio o Kalil Filho, de excelente locução (deixava todos os repórteres locutores de hoje, "no chão"… perdoe-me, pois ainda temos alguns bons…<br>O Carnaval… ah…o Carnaval… tanto os de salão como os de rua, eram de plena camaradagem e o "lança-perfume" RHODO (tubo metálico de cor dourada) era lançado apenas para perfumar ainda mais as "meninas", pois poucas pessoas "cheiravam-no em seus lenços"…<br><br>Que saudades, teria muita coisa mais a contar, porém a emoção "exige" que eu pare… ENTÃO PAREI… que outros (de minha geração ou não) continuem… se a emoção lhes permitir… Desculpem pelo longo texto que nem sei se será publicado… Abraços – Flavio Rocha<br><br>e-mail do autor: [email protected]