Futebol: a história de um jogo inesquecível

Torneio Rio-São Paulo de 1958. No dia 6 de março, a tabela marcava o jogo entre Santos x Palmeiras, no Estádio Municipal do Pacaembu. O campeonato havia começado há pouco tempo, por isso não decidia nada. 
 
O Santos entra em campo com: Manga, Hélvio e Dalmo; Fioti, Ramiro (Urubatão) e Zito; Dorval, Jair, Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe. Técnico: Lula. O Palmeiras com: Edgar (Vitor), Edson e Dema; Valdemar Carabina, Valdemar Fiume e Formiga (Maurinho); Paulinho, Nardo (Carballo), Mazola, Ivan e Urias. Técnico Oswaldo Brandão. 
 
O jogo começa e aos 18 minutos o Palmeiras abre a contagem com Urias. Logo em seguida, aos 21, uma promessa do Santos de 17 anos, de nome Pelé, empata. Aos 25, Pagão vira o jogo e põe o Santos na frente do placar. Um minuto depois, Nardo empata novamente. A partir daí, o Santos tem uma sequência de três gols: aos 32 com Dorval, aos 38 com Pepe e aos 46 com Pagão, terminando o 1º tempo com 5 a 2 para o Santos. 
 
Neste momento torcedores do Palmeiras temiam por uma histórica goleada do Santos e os torcedores do Santos acreditavam em uma histórica goleada sobre o Palmeiras. Mazola, centroavante do Palmeiras e campeão mundial com a Seleção Brasileira de 58, conta que no intervalo do jogo, no vestiário, o goleiro Edgar chegou a chorar, pedindo ao técnico Oswaldo Brandão para ser substituído. Para o 2º tempo, além de trocar o goleiro pelo reserva Vitor, mudou o meia Nardo pelo uruguaio Caballo. Logo no início do 2º tempo, provavelmente admoestado pelo técnico que exigia vergonha e garra, o Palmeiras voltou diferente, com mais empenho, e aos 16 minutos faz o 3º gol com Paulinho. 
 
Logo em seguida, aos 19, Mazola marca o 4º e aos 27 o 5º, empatando novamente a partida. Ninguém acreditava que isso pudesse acontecer e muito menos o que aconteceu aos 34 minutos, com Urias marcando o 6º gol fazendo o Palmeiras ultrapassar o Santos com o inacreditável placar de 6 a 5. 
 
Locutores esportivos procuravam adjetivos para qualificar o que estavam vendo. O jogo se aproximava do final. A vitória espetacular do Palmeiras parecia consumada quando, faltando 7 minutos para terminar, Pepe, de cabeça, empata mais uma vez o jogo: 6 a 6. As emoções se dividiam entre torcedores do Santos e do Palmeiras e, faltando 4 minutos para terminar o "espetáculo", o Santos ainda teve fôlego para marcar, novamente com Pepe, o 7º e derradeiro gol, fechando o placar em 7 a 6 para o time praiano. 
 
Terminado o jogo, as torcidas dos dois times aplaudiram em pé pelo "show" apresentado por ambas as equipes. Passado algum tempo, três jogadores participantes do jogo comentam em entrevistas alguns detalhes. Zito, também campeão mundial de 58, conta: 
– Terminou o 1º tempo, nós entramos no túnel, falei: gente, hoje nós temos que fazer o maior escore do mundo. Vamos arrebentar com o Palmeiras hoje. 
 
Depois completa:
– Foi uma reviravolta fantástica, inacreditável. 
 
Pepe, outro participante do título mundial de 58 comenta: 
– Eu me lembro da festa no vestiário, parece que estava saindo do pesadelo para voltar a um sonho. 
 
Depois completa: 
– Esse foi o jogo mais emocionante que o futebol brasileiro já apresentou. 
 
Mazola revela: 
– Logo após o jogo terminar, a diretoria do Palmeiras, em reconhecimento ao empenho dos jogadores, deu a eles o "bicho" por vitória. Comprovando a intensa emoção provocada pelas diversas alternativas do placar, a imprensa da época relata a ocorrência de cinco ataques cardíacos fatais, sendo que um deles originário dentro do próprio Estádio do Pacaembu. Esse foi realmente o mais espetacular, o mais maravilhoso, o mais emocionante e o mais inesquecível jogo do futebol brasileiro.
 
Será que um dia surgirá outro jogo igual ou mais emocionante do que esse? Só o tempo dirá…