Vila Prudente

Nasci e fui criada na Vila Prudente. Estudei no Círculo dos Trabalhadores da Vila Prudente (hoje Colégio João XXIII) quando a irmã Casemira era a diretora. Tempos bons aqueles! Depois fui para o ginásio, no República do Paraguay e lá conheci os mais incríveis professores que tive na vida. Dentre todos, o professor Edson, de português, uma pessoa humana maravilhosa, foi o que mais marcou minha vida naqueles tempos. Adorava as peças de teatro que montávamos nas aulas de português e de inglês. Inesquecível nossa montagem de Dom Quixote, em inglês. Eu, a mais alta da turma era o próprio, a Cristina, minha tão querida e chegada amiga, a bela Dulcinéia e a Elisa, a mais fofinha da turma, encarnou Sancho Pança, mesmo sendo Nissei! E a nossa adaptação de Clarissa? Revirávamos os baús das avós e tias em busca de roupas de tempos passados para dar mais realismo ao trabalho. Os campeonatos de handball, quando vinham escolas de toda região para o República, que tinha a melhor quadra.
Isso tudo vivendo na Rua Cananeia, mas tendo toda a redondeza como lar, porque todos se conheciam e todos cuidavam das crianças da rua. A casa da D. Ana era uma extensão da minha casa, assim como a minha era extensão da casa das outras crianças. Eram sempre todos bem-vindos uns na casa dos outros.
Eu, minhas primas e primos, vizinhos e amigos armávamos guerra de mamona no campinho da Marquês de Praia Grande. Vivia de joelho ralado por causa do handball e das descidas desenfreadas ladeira abaixo com o carrinho de rolemã do meu irmão! Como nos divertíamos sem televisão, sem vídeo game, sem cinema, sem parque temático, sem aulas disto e daquilo! Éramos corados, saudáveis e absurdamente felizes! Tivemos a melhor infância que poderíamos desejar. Adorávamos bolo Pullman e Ki-Suco depois da aula, os doces da vendinha do "seu" Salvador, os caquis do quintal da D. Isolina… E quando nos feríamos, corríamos pra casa do "seu" Chicão, massagista de mão cheia. Protegíamos os gatos vadios da rua que roubavam os peixinhos da fonte do jardim do "seu" Antonio.
Anos depois, estudei no Pantoja e ali fiz o colegial. Tínhamos lá nosso grupo de teatro também e como éramos entusiasmados!
Depois de adulta mudei para a Vila Zelina e agora, novamente, vivo na Cananeia e tenho meu coração cativo desta região. Não há, no mundo, cidade como esta e, nesta cidade, para mim, não há outro lugar melhor pra se viver do que este lugar, onde passei os mais lindos dias da minha vida e que, ainda hoje, está impregnado das lembranças daqueles dias!

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