Árvore misteriosa em São Paulo

Quem me conhece sabe que gosto de calor. Este é um dos motivos de ter partido de São Paulo e permanecido em Salvador (Bahia) desde 1982. Mas o amor por minha terra e minha família permanece. Pelo menos uma vez por ano venho visitá-los. Ao chegar aqui em São Paulo tento dar a maior atenção a minha mãe, aproveitando todas as oportunidades. Vou ao mercado, às lojas, gastamos horas de conversa sentadas no terraço, uma delícia.

Outro dia fomos a um local perto da estação João Dias, bem próximo da Av. Giovani Gronchi. O bairro que visitamos é margeado parcialmente pela Av. Carlos Caldeira e por um canal. Assim que atravessamos a avenida percebi uma praça com algumas árvores. Ali na praça observei um senhor vendendo churrasquinhos. Fiquei com vontade de provar, mas resisti. Lá em Salvador encontramos acarajé em toda parte da cidade, mas churrasquinhos eu garanto que não! (risos).

Quando olhei para o chão vi um monte de folhas caídas, aproximadamente 15 centímetros, super diferentes. Em uma das extremidades da folha observei uma bola coberta por espinhos. Ao pegar uma delas fui espetada. Fiquei super curiosa para saber o nome da árvore, parecia ser uma planta do cerrado. Perguntei para duas pessoas que estavam ali se sabiam o nome da árvore. Estranharam a minha pergunta, responderam que não. Provavelmente moravam na região, mas nunca tiveram interesse em saber. Olharam-me como se eu fosse um ET.

Abaixei, cuidadosamente coloquei duas folhas em uma embalagem de plástico e as levei para casa. Fotografei-as e imediatamente iniciei a minha pesquisa na internet. Ninguém dos meus contatos conhecia a tal folha, ninguém no facebook, etc. Uma prima se assustou quando mostrei para ela. Pensou que fosse um morcego. Adentrei em diversos sites de botânica e afins, sem sucesso. Mandei foto até para uma amiga na Itália, que trabalha com botânica. Mas nada!

Depois de uma semana finalmente obtive sucesso. Consegui a ficha detalhada da tal planta. Fiquei extremamente feliz, foi uma conquista a ser comemorada. Adentrei na sala onde minha mãe descansava, para anunciar o nome da árvore misteriosa. Na realidade o que pensei tratar-se de folha era o fruto, o qual é colhido em agosto. A árvore estava sem folhas quando a vi, por isto me confundi. Aquilo com espinhos era fruto!

– “Mãe, finalmente descobri o nome da árvore. Consegui mãe!”

Eu estava super empolgada.

– “Qual é?”

Ela também ficou curiosa.

– “Araribá é o nome popular. O nome científico é Centrolobium tomentosum.”

– “Legal, não é mãe?”

E assim que comentei o nome da planta lembrei do nome do local que visitei: Jardim Arariba.

Ou seja, a diferença era apenas o acento. Nunca imaginei que a origem daquele bairro fora originado de uma planta.

A partir daquela inusitada visita ao Parque Arariba fiz a constatação de mais uma árvore emprestando nome a um local.

Aposto que poucas pessoas sabem disto naquela região. Quem é que se interessa por estas coisas? Quem se interessa pelos nomes das ruas, ou pela história de bairros, cidades? Em uma cidade como São Paulo, onde muitos destes bairros funcionam como abrigo dormitórios, não é difícil entender.

Se alguém desejar conhecer o site www.arvores.brasil.nom.br/new/lista.htm, garanto que descobrirá maravilhas da nossa flora.

E a vida segue. Daqui dois dias retorno para o meu lar, com a promessa de voltar. Quem sabe em outra oportunidade eu tenha outro fato curioso para desenvolver uma crônica, um fato pitoresco para levar em minhas malas! “Bye bye”.