Manoel de Borba Gato, obra do artista plástico e escultor santamarense Julio Guerra, desde que foi inaugurada, em janeiro de 1963, à entrada de Santo Amaro, a estátua de quarenta toneladas e dez metros de altura (13 m contando o pedestal) é revestida de pedacinhos de pedras de mármore coloridas de origem brasileira, essa arte provocou reações das mais diversas, menos a indiferença por ela, muitas pessoas consideram o bandeirante feio, outras bonito e outros, ainda, diferente, creio que arte é arte e tem que ser vista com olhos de artista, olhos do coração e o seu significado, pois na arte não existe a beleza quadrada ou redonda, ou ainda colorida, e sim a arte.
O monumento poderia ser feito em bronze, mármore, mas Julio Guerra preferiu dessa forma que, ali, esta foi a sua inspiração de momento que assim determinou a homenagem a um grande bandeirante santamarense, que ajudou a levar e estender as divisas do Brasil para além do que era, tinha como sogro Fernão Dias Paes, que descobriram esmeraldas e, principalmente, ouro em Minas Gerais.
Uma curiosidade que indaga muitos moradores e visitantes: o porquê do monumento estar naquela posição, olhando sentido centro da cidade de São Paulo e não para o bairro. A explicação deve-se a figura estar recebendo quem chega a Santo Amaro, seria como nós em nossa casa recebendo uma visita e a recebemos de frente e não de costas e ainda mais: temos a orientação do leste onde nasce o sol e onde fica a Europa de onde vieram os portugueses que descobriram essa terra e, como também dizendo, sejam bem-vindos a minha casa, meu bairro.
Júlio Guerra logo em 1930, nos primeiros tempos, tomou uma decisão de homenagear, com obras, três ilustres santamarenses, seus conterrâneos, como:
O padre Belchior de Pontes, que nascera às margens do Rio Pirajussara, região do atual bairro de Campo Limpo e destacou em catequizar índios e é considerado fundador de Itapecerica da Serra, que na época era de Santo Amaro, seu herma (busto) em coluna de pedra está na praça em frente à igreja matriz de Itapecerica da Serra.
O poeta Paulo Eiró, santamarense de grande vulto cultural, tem seu mural de mosaico de cimento armado 18 por 5 m, localizado nos jardins do Teatro Paulo Eiró, e sua frase mais popular é "O homem sonha monumento e só ruínas semeia, para pousada dos ventos", obra localizada na Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro.
Outra homenagem a Paulo Éiro está localizada na Praça Floriano Peixoto, próximo ao coreto, onde seu busto está em uma coluna tipo “herma” ao lado de Iguatinga.
Os romeiros de Santo Amaro são homenageados com o “Monumento aos Romeiros”, um grande mural em pedras coloridas de aproximadamente 8 m², que fica em frente à Casa da Cultura de Santo Amaro, localizado na Av. João Dias, mais exatamente na Praça Francisco Ferreira Lopes, 434, em frente à Biblioteca Pref. Prestes Maia. Essa casa de cultura já foi o mercado municipal de Santo Amaro, no final do século XIX.
Outras artes de destaque do artista, escultor, pintor foram as obras de Iguatinga, monumento em bronze de uma musa nua que fica em um lago pequeno, tipo piscina, dentro da Praça Floriano Peixoto, ao lado do monumento a Paulo Eiró. Essa obra foi apresentada no XVI Salão de Artes, no salão Almeida Junior, da Galeria Prestes Maia, em 10 de abril de 1951.
Tenente Cel. Carlos da Silva Araujo possui um herma com seu busto, obra de Julio Guerra, em sua homenagem, exposto desde a década de 1940 a 2012, na Av. Mario Lopes Leão, antiga Rua Campos Salles, em frente ao antigo Grupo Escolar Paulo Eiró e, devido às pichações, foi transferido, recuperado e colocado dentro da Praça Floriano Peixoto, formando um trio com os monumentos de Iguatinga, Paulo Eiró e Tenente Carlos da Silva Araujo, que foi um grande benemérito no bairro com a criação da Santa Cassa, Mercado novo e muitas outras obras.
Continua…