Estou eu aqui no meu serviço trabalhando e fiquei pensando como o tempo passou tão rápido que eu ao completar 60 anos cheguei até aqui, meu pai sempre falava: "quero ver você chegar até aqui”, 54 anos, época em que ele morreu; foram tantas batalhas de sobrevivência que nem sei contar quantos obstáculos tive que suportar e me fortalecer para vencê-los.
Sou do tempo da jovem guarda e dos roqueiros, onde a moda era calça boca-de-sino e cabelo comprido e poderia deixar mais longo do que o da gente para ficar na moda e não ser "bôco môco". Roupas compradas na loja Pitter do centro de Sampa e atualidades de discos na loja da Rua 24 de maio na Brenno Rossi, onde podia se ouvir o disco a ser comprado quase por inteiro sem ninguém “encher o saco”. Era gostoso passar pelo centro, olhar com calma e sem compromisso no sábado de manhã e à noitinha, após o trabalho, comer um pastel com coca e voltar para casa.
Era um tempo onde tudo era simples e fácil, desde minha infância tudo era adquirido com sacrifício e dávamos valor ao que tínhamos comprados com muito trabalho, no meu caso apesar de sermos cabeludos como diziam na época, todos eram trabalhadores e tirávamos do trabalho o seu sustento pessoal, pois a educação dos nossos pais assim exigia.
Hoje em dia (digo assim para não exemplificar com exatidão o tempo e espaço) o mundo se perdeu na mudança do passado, presente e futuro trazendo coisas que não estávamos preparados para aceitar, tanto na educação que não se tem mais, consumo de drogas exagerado, músicas que não têm o mesmo sentimento de antes, só baboseiras e não existe de minha parte vontade de ouvir músicas, que "no meu tempo" ouvíamos, sim, músicas de outros cantores, pois tinham qualidade e hoje preciso ser seletivo ao escolhe-las.
Agora digo como os antigos: "no meu tempo era assim" e tantas mudanças que em pleno século 21 eu tenho que reaprender, descobrir como funciona tal novidade, o computador, por exemplo, cada vez que aprendo tem uma outra novidade melhor e mais compatível com a tecnologia do momento e o futuro que dizíamos que era tão distante nos aparece agora como amanhã no dia seguinte.