Com “D” maiúsculo

Estávamos em 1985, quando tomou posse no Cartório em que eu trabalhava uma nova diretora, de prenome Ana. O cartório era recém-fundado e ainda estava em fase embrionária, havendo possibilidade que o mesmo não vingasse, estando, portanto, “sub judice”… Porém, devagar, a tal Ana foi pondo ordem na casa e não demorou muito para que todos vissem e sentissem o pulso da mulher.

Dona de uma caligrafia bonita e uma desenvoltura textual semelhante a de uma escritora, a tal Ana era enérgica quando necessário se fazia e totalmente liberal, alegre nos relacionamentos com seus funcionários. Quando refiro-me à liberalidade da Ana, é lógico que me refiro a uma liberdade controlada onde a mesma não admitia o exagero, a falta do respeito, a Ana era mulher, dona de casa, intelectual, mas também entendia os limites alheios, por isso ela não se impunha como uma general que nada permitia aos funcionários.

Com a Ana era preciso trabalhar, ser respeitoso e andar na linha, com produção no serviço “Mãe de três filhos”: dois meninos e uma menina, a nossa diretora se desdobrava com o serviço em si e com os encargos que eram estressantes. Só sei que a Ana chegou, olhou e venceu, equilibrou o cartório, fez aquilo progredir e a juizada toda confiava nela por causa apenas, e tão somente, que ela merecia confiança.

Abstenho-me de falar o nome do Cartório e o sobrenome desta mulher exemplar de prenome Ana, que hoje é aposentada, realizada em todos os sentidos. A Ana, quando era preciso ser enérgica, fazia até o rabudinho vermelhinho fugir da raia. Obrigado Diretora com "D" maiúsculo.