Eu me lembro bem do dia que o vi pela primeira vez. Bonitão, bem vestido, cheio de charme no auge dos seus 38 anos. Era um sábado à noite e eu passei em frente ao prédio que ele morava, na Rua Candido Vale, no Tatuapé. Trocamos olhares, tímidos sorrisos. Mas a timidez dos meus 22 anos me fez acelerar o carro e pensar "é muita areia pro meu caminhão" (risos). Eu só não contava que tínhamos um amigo em comum. Dois dias depois esse amigo me ligou e falou que ele havia comentado sobre uma moça que havia mudado a pouco para a Rua Santa Virginia (a moça era “euzinha”).
Apresentações feitas, começamos a nos falar por telefone. Apesar da pouquíssima distancia que nos separava. Depois de algum tempo, começamos a sair. E começava aí um relacionamento do mais verdadeiro amor que dura mais de 20 anos. Com ele, aprendi a apreciar bons vinhos, bons restaurantes, boa música. Em uma dessas viradas da vida, resolvemos mudar de ares. Eu vim para o centro-oeste e ele passou uns tempos no interior de São Paulo. Nossa "historinha" de amor terminava aí. E nossa grande história de amor e amizade começava nesse momento.
Mudei de estado, de vida, tive outros amores. Mas, apesar do tempo e da atual distância, percebo que o amor mudou de forma, mas não morreu. Hoje, não existe mais o amor "romanceado", o amor físico. Existe respeito, carinho, preocupação, saudade, brilho nos olhos quando nos encontramos, a expectativa de cada reencontro. Dizem que a amizade é um amor que nunca morre. Eu tenho essa certeza. O amor de juventude que sorriu para mim naquele sábado se transformou no meu amigo de todas as horas.
Horas que muitas vezes eu tive muitas perguntas e poucas respostas. Eu ainda não tenho todas as respostas, mas tenho a certeza de que o sentimento de carinho e amizade que nos une é eterno. E esse é o amor paulistano que mais gosto de recordar e reencontrar. Como sempre lhe digo. Esse é o meu ex-futuro marido preferido (risos).