Era noite de 29 de junho de 2013. O céu absolutamente estrelado, coisa rara na cidade de São Paulo, uma leve brisa refrescante corria alegremente entre os prédios da Vila Olímpia e um clima de amor incondicional envolvia o grande momento.
Com 82 anos e após 44 anos vividos em seu sobrado da Vila Olímpia, José Antunes dos Santos, mais conhecido por “Zezinho”, fora inexplicavelmente transportado à Valinhos, sua terra natal. Estranhamente, a época era outra e ele voltara a ser criança em seu antigo lar na presença de seus amorosos pais e seu fiel amigo, aquele cuidadoso cão com quem brincava enquanto seus genitores trabalhavam na lavoura.
Ao findarem o trabalho no campo, pai, mãe e filho retornam ao aconchego doméstico para o jantar, uma deliciosa canja de galinha com o macarrão feito em casa que só Dona Florinda sabe fazer.
– “Ah”! Que saudades desses momentos tão especiais, tão únicos e tão delicadamente presenciados pelo relógio da cozinha a anunciar o início da noite com suas 18 badaladas de “Cuco”…
Nessa noite tão especial, o pai de “Zezinho”, Manuel dos Santos, que todos chamavam de Pedro, e sua mãe Florinda estenderam um lençol no gramado perto da casa e…, lá…, na grama, deitados nessa ordem, pai, “Zezinho” e mãe admiraram as estrelas… como quando José era mais pequenino… Ao redor deles, pulando e alegrando mais ainda esse instante, estava o cão da família.
De mãos dadas, os pais convidam “Zezinho” para uma nova e definitiva viagem que os permitirá viverem para sempre juntos desde que o menino aceite entrar no mais profundo plano espiritual que o homem e sua ciência ainda não podem explicar.
Garoto que valorizou tudo o que conquistou e cada momento vivido pediu aos pais para levar consigo alguns objetos muito preciosos aos três: a caixa de engraxate que ganhou na infância e que mantém intacta ainda hoje, o rádio que fora presente de bodas de prata do pai para a mãe e que não toca mais e o relógio “Cuco” que por tantos anos fora parte da rotina diária dos três tanto ao darem corda às 18h todos os dias quanto ao anunciar cada uma das 24 horas de cada dia… Na verdade, “Zezinho” prometera nunca deixar o “Cuco” sem corda após a partida do pai. Homem honrado, cumprirá tal promessa.
Então, ali em Valinhos, à 0h15 da noite de 29 de junho, na fazenda onde tão pequenina criança nascera, permaneceram deitados para sempre pai, mãe e filho.
José Antunes dos Santos nunca mais cantará sua Ave Maria entre nós. Agora, eles vivem felizes no céu a ouvirem o “Zezinho” cantar aos anjos e ensaiar para nos receber quando for nosso momento.
“Obrigada tio José por ter existido em minha vida!”
Agnes dos Santos Scaramuzzi Rodrigues.
Em nome das famílias Santos, Pinho da Silva, Fragnan e Scaramuzzi agradecemos ao “São Paulo Minha Cidade” pela iniciativa deste site que foi tão importante, em particular, ao nosso querido José Antunes dos Santos.
Agradecemos com especial carinho a cada leitor pelas palavras enviadas ao “Zezinho”. Muitos de nós terão para sempre um espaço caloroso para aliviar nossos corações.
Para nós tanto as histórias do autor, José Antunes dos Santos, quanto as mensagens de cada leitor se configuram em um verdadeiro tesouro.
Nossos sinceros agradecimentos.