Meu velho companheiro de trabalho Marcelo Sartorelli, antigo ex-morador da Freguesia do Ó, onde por alguns anos morou na Rua Isabel Velho, quase esquina com a Rua Tucunduva, tanto lutou que se fez na vida. Assim, bem vivendo inteligentemente, chegou aos 38 anos ainda solteiro e muito bem empregado em uma multinacional com um bom salário e após ganhar uma medalha de honra ao mérito na empresa onde trabalhava recebeu como prêmio uma viagem à Europa, e sua escolha dada sua origem recaiu sobre a Itália.<br><br>Quinze dias depois, Marcelo estava de mala e cuia no Aeroporto de Guarulhos a espera do avião da Alitália, que iria levá-lo, depois de uma breve escala no Aeroporto 2 de Julho na capital baiana, hoje conhecido como Aeroporto Deputado Luiz Eduardo Magalhães (mudança essa muito polêmica, pois a data 2 de julho é a data da Independência da Bahia), diretamente para a “Cidade Eterna”, a tão sonhada e histórica Roma.<br><br>E assim, como em um belo sonho, Marcelo embarcou naquele enorme Boeing, sonhando em visitar os pontos turísticos de Roma, como também o Vaticano e as relíquias do berço da fé cristã e da Igreja Católica Apostólica Romana.<br><br>Já sentado em sua "confortável" poltrona da classe econômica das belas aeronaves atuais, Marcelo acompanhava muito apreensivo a entrada dos passageiros a bordo, na esperança que nenhum gordo com excesso de peso pousasse na poltrona ao seu lado. E assim foi com uma enorme surpresa que Marcelo notou que uma mulher enorme estava a bordo e caminhava lentamente pelo corredor da aeronave em sua direção, fazendo com que Marcelo jurasse a Deus naquele momento que se aquela enorme criatura que devia possuir 1,80 de frente, uns 2,90 de fundos e 1,50 de largura, tala larga, escolhesse algum outro lugar que não fosse aquele ao seu lado para estacionar a sua jamanta, ele iria ser para sempre até o final de sua vida um homem bom, iria deixar de ser mulherengo e que iria pagar religiosamente o dízimo mensal na primeira igreja perto de sua casa, como também passaria a frequentar semanalmente as missas dominicais de sua comunidade.<br><br>Foi por um triz. A mulher passou por ele e aterrissou em uma das últimas poltronas ainda desocupada, três fileiras atrás da sua. Marcelo ia agradecer a Deus quando ficou paralisado, mudo, extasiado. Ao voltar sua atenção para a entrada do avião, viu a coisa mais linda de toda sua vida, a mulher mais encantadora, sedutora e elegante que ele havia posto os seus olhos desde seu nascimento no bairro da Mooca em 1952.<br><br>E o melhor da festa é que tudo indicava que aquela belíssima mulher seria a sua parceira de poltrona naquela viagem, olhando para traz notou que todos os passageiros já acomodados em seus lugares olhavam para a mesma direção: a beleza da recém-chegada, uma mistura perfeita de Claudia Cardinali com Sofia Loren do início dos anos 60.<br><br>A beldade, com seu caminhar de modelo, usava um elegante tailleur Chanel champanhe, acompanhado de um belíssimo conjunto de colar e brincos de ouro velho, e portava como comissão de frente um suave perfume Chanel nº 5, verdadeiramente embriagadores.<br><br>E não deu outra, colocando sua elegante bolsa sobre o acento da poltrona ao lado de Marcelo, a divina criatura murmurou baixinho em italiano, arrepiando até os pelinhos da sola do pé de Marcelo.<br><br>- Mi permetta per favore! <br><br>Disse isso e com muita feminilidade ao mesmo tempo em que acomodava seu agasalho e uma pequena maleta, no bagageiro acima do acento dos passageiros. <br><br>Marcelo estava se sentindo como aqueles jogadores de futebol que um dia foram incumbidos de baterem o último pênalti, de uma decisão de campeonato mundial, que terminou empatado na final e a decisão teve que ser nas penalidades máxima.<br><br>Sem saber o que fazer para disfarçar sua tensão emocional, tentou olhar pela janela, apertar o cinto de segurança, deitar um pouco mais a poltrona, coisa quase impossível de conseguir fazer em classe econômica das atuais aeronaves das companhias aéreas do nosso planeta, ele então disfarçadamente guardou rapidamente o livro que estrategicamente havia mantido em seu poder, para em caso de ser "premiado" com um companheiro de viagem muito conversador, fingir que estava lendo e assim ficar livre de um provável chato.<br><br>- Para disfarçar um pouco aquele seu desconforto emocional momentâneo, ao notar a passagem da comissária de bordo que oferecia aos passageiros umas balinhas de boas-vindas, comentou meio desorientado com a mesma, olhando pela janelinha.<br><br>- Vejam lá em baixo, tudo parecem umas formiguinhas!<br><br>E de pronto a comissária arguiu: <br><br>- São formigas mesmo cavalheiro, o avião ainda não levantou voo. <br><br>Coisa que arrancou um gostoso sorriso daquela “belezura” ao seu lado e ajudou Marcelo a conquistar a simpatia da mesma.<br><br>Depois desse fora e para encurtar a história, quando o avião pousou no Aeroporto de Roma, que leva o nome do gênio renascentista italiano Leonardo da Vinci, Marcelo, que não era de perder tempo, já sabia que a sua bela companheira de poltrona chamava-se Bianca, era italiana, solteira, 35 anos, falava inglês, alemão, francês, português e, é claro, italiano. Era funcionária de uma grande empresa alemã com filiais em vários países, inclusive no Brasil, onde ela estava trabalhando no momento e que de férias estava retornando a sua terra natal: a “Bella Roma”, de volta por algumas semanas para o seu apartamento que ficava na parte alta da cidade.<br><br>Ao saírem do aeroporto, resolveram usar o meio mais rápido para se chegar a Roma, que dista 35 quilômetros do local, linha férrea, e assim pela linha Leonardo Express, 30 minutos depois, estavam desembarcando na estação Termini, principal estação ferroviária de Roma.<br><br>Como de Itália Marcelo não conhecia “niente”, Bianca, tomando um táxi, acompanhou Marcelo até o hotel onde o mesmo estaria hospedado, e o melhor da história: propôs em nos próximos dias atuar como guia turística de Marcelo em Roma. Bianca seguiu seu destino e Marcelo, ainda sem acreditar nos acontecimentos, acompanhou sua partida ansioso pelos futuros acontecimentos.<br><br>Apesar de cansado e atordoado com o fuso horário de cinco horas, ele não conseguiu dormir e descansar direito, pensava na beleza e elegância daquela bela mulher, de como seria prazeroso tê-la em seus braços, poder beijá-la, abraçá-la, sentindo aquele seu delicioso perfume, sentir sua voz falando o português com aquele gostoso sotaque italiano. “Ti amo”!<br><br>No dia seguinte, Marcelo e Bianca visitaram as ruínas da antiga Roma, juntinhos almoçaram no “La Romântica”, um belíssimo, decoradíssimo e romântico restaurante romano. Assim, o dia finalmente chegou ao seu fim e os dois agora, já mais íntimos, curtiram um gostoso sorvete italiano, e foi nesse momento que ela elegante e carinhosamente convidou Marcelo para conhecer o apartamento que era seu refúgio de férias na Itália.<br><br>Como em um sonho, 35 horas depois de ter visto pela primeira vez aquela mulher cinematográfica desfilando sua beleza pelos corredores de uma aeronave da Alitália, Marcelo encontrava-se ao seu lado em um pequeno, mas muito bem decorado apartamento, no quinto andar de um prédio em Roma, onde da sacada do mesmo via-se boa parte da famosa cidade.
Depois de um reconfortante banho, e assim bem mais a vontade, Marcelo esparramou-se cansado da viagem e do passeio, pelo sofá ao lado da bela Bianca, agora trajando um sensual penhoar vermelho em seda pura, com algumas lindas estampas japonesas em preto. <br> <br>Surgiu então o momento esperado por ambos, seus lábios se encontraram em um longo e profundo beijo, Marcelo então percebeu que gostaria de ter e pertencer para sempre àquela linda mulher, pensando nisso beijou-a e abraçou-a intensa e demoradamente por muito tempo.<br> <br>Bianca conduziu Marcelo carinhosamente para o seu convidativo e bem decorado quarto e ali já sem seu penhoar viveram algumas horas de intenso amor.<br><br>Por fim, extenuado, de cueca e sem camisa, Marcelo, olhando para o belo corpo seminu de Bianca, meditava sobre os últimos acontecimentos do felizardo que era por ter conquistado aquela linda mulher, enquanto distraidamente olhava atentamente para a jeitosa decoração e arrumação que aquela linda mulher dedicara ao seu pequeno apartamento, mesmo que poucas vezes utilizado por ela durante o ano. E, assim, distraído, Marcelo pousou seu olhar em uma foto de um belo jovem aparentando uns 20 anos usando uniforme de carabineiro.<br><br>Intrigado, perguntou a Bianca:<br><br>- Quem é esse militar da foto, seu namorado?<br><br>Ela passando a mão em seus cabelos, respondeu:<br><br>- Não bobinho eu não tenho namorado.<br><br>Marcelo insistiu: <br><br>- Os olhos e o nariz lembram você, é seu irmão?<br><br>- Dimenticano cari, disse ela. – Sono cose del passato. (Esquece querido, são coisas do passado).<br><br>Marcelo, porém, continuou: <br><br>- Pode falar querida, é algum amigo seu?<br><br>Colada ao seu ouvido, mordiscando sensualmente sua orelha, ela falou carinhosamente:<br><br>- Sou eu bobinho, antes da operação. <br>….<br><br><br>E-mail: [email protected]