Pensionato da Avenida Nazaré

Outro dia, meu primo me disse que estava namorando uma moça que mora no Ipiranga. Então veio na minha memória os anos que morei no pensionato.E fatos que lá aconteceram…

Eu tinha meus cabelos bem compridos e, certo dia, limpando o quarto, resolvi: “vou cortar meus cabelos”.
Fui em uma cabeleireira ali por perto, e disse.
– “Quero cortar meus cabelos”.
Ela disse:
– ”Tem certeza?”
Eu disse:
– “Sim”, mas ela ia cortando e eu me arrependia. E quando olhei para o chão, saí chorando de lá.

Outra vez, como morava com várias moças em um quarto, eu me levantava muito cedo, tinha que chegar ás 7h na sessão do banco, que ficava na Praça da República.

Sempre me vestia no escuro. E saí correndo para pegar o ônibus elétrico que passava bem perto.
Entrei e percebi que todo o mundo me olhava.
Quando cheguei na sessão, o pessoal disse:
– “Benê, você não se olhou no espelho?” Estava com a roupa do avesso…

Outra vez, convidei uma colega de quarto para ir passar o Natal no interior. Ela também tinha vindo da roça e achei que não ia ter luxos. E ia toda feliz para a casa dos meus pais, até levou presente para minha mãe. Meu pai matou o peru e eu o preparei. Quando foi para a mesa, tive a infelicidade de saber que havia me esquecido de tirar o papo do peru; assei com papo, milho e tudo. Quando voltamos, ela não parava de fazer chacota com o tal peru.

Levou um bom tempo para ela esquecer…

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