Quando comecei a namorar meu marido, fiquei toda empolgada em aprender a cozinhar (hoje já não existe isso, logo que começam a namorar a primeira coisa que dizem é “Eu não sei cozinhar!") Incrivelmente tem dado certo. E lógico nos finais de semana aparecem para o almoço da mama que agora virou nona.
Bom, mas voltemos ao tema: como estava entusiasmada em agradar o namorado, perguntei para ele qual era sua comida preferida e sem pestanejar ele me disse que era bacalhoada e que a mãe dele fazia uma bacalhoada divina. Ainda não tinha sido apresentada à família dele então perguntei ao próprio, como é que era essa bacalhoada. E ele me explicou à sua maneira: Ah! A minha mãe coloca batatas, cebolas, brócolis, ovos cozidos, pimentão, azeitonas e claro o bacalhau e o azeite e alho frito.
Um tanto quanto diferente daquela bacalhoada que minha mãe fazia que era conhecida como: Bacalhoada atrás dos montes ( de couves e batatas ), risos.
Então, na primeira oportunidade que fomos para São Paulo (nos conhecemos em Campinas) eu resolvi fazer a tal da bacalhoada. Como naquela época trabalhava como tesoureira em um Colégio de freiras em Campinas, conversando com a Madre Joana que era a encarregada da cozinha ela me deu uma receita que era parecida com a descrita pelo Gilberto, a que mais se assemelha é a Bacalhoada à Gomes de Sá. E não é que ficou muito boa, mesmo. Foi um sucesso.
Depois disso, fui apresentada à família dele, mas nunca conheci a tal bacalhoada da sogra, feita por ela mesma, ela nunca mais fez, talvez por não ter oportunidade, mas quero crer que foi pura sabedoria.
O tempo passou me acostumei a fazer esse prato na sexta-feira santa e no aniversário dele, meus filhos agora se regalam com essa iguaria.
Então no Natal de 2007 que foi na chácara de uma cunhada em Ubatuba, onde nos reunimos naquele ano, as cunhadas resolveram fazer a tal da bacalhoada. Claro que curiosa fui ajudar a preparar.
Na véspera ela montava a bacalhoada, com o bacalhau já dessalgado e era tudo cozido inteiro, batatas, ovos, cebolas das pequenas com casca e tudo, depois descascava tudo e misturava com azeitonas pretas bacalhau em postas, não entravam os pimentões e nem o brócolis, era enfeitada com um maço de folhas de couve cozidas inteiras e regada com um frito de alho e azeite. Tudo isso era coberto e ficava descansando até a hora de servir e serve-se fria com arroz bem soltinho. Super prática!
No dia 29 de março de 2013 fiz a receita da sogra, só que agora eles se acostumaram com a minha receita, os filhos estranharam a bacalhoada fria, comeram, mas pediram para fazer a outra receita para o aniversário do pai.
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