Quem nunca teve medo de lobisomem e assombração? E da mula sem cabeça, da loira do banheiro? Inclusive no Harry Potter tem a Murta que Geme, que vivia no vaso sanitário. Quando mudamos para a Vila União, periferia da capital paulista, eu tinha apenas cinco anos. Sempre ouvia meus avós contarem histórias um tanto quanto escabrosas, que, para uma criança hiper medrosa como eu, era suficiente para não ir de um cômodo da casa a outro sozinha. Sorte que éramos dez irmãos, ainda bem. Minha avó contava que em certa ocasião, lá no sertão nordestino, meu avô chegou em casa aos trancos e barrancos, perseguido por não sei lá o que, pois não teve coragem de olhar para trás. Quando chegou na porta de casa, deu um tremendo pulo, afinal, naquela época ele ainda era jovem e podia saltar muito bem, fugindo de uma criatura que nem ele mesmo soube dizer o que era. Se a história é verdadeira ou não, eu não sei, só sei que eu ficava com muito medo, imaginando que poderia ser um lobisomem que estava perseguindo meu avô.
Alguns vizinhos nossos, adolescentes na época, diziam que viam lobisomens rondando a casa deles, principalmente nas noites em que os cachorros resolviam fazer uma serenata de uivos e aquilo mexia intensamente com a nossa imaginação, pois ainda não havia ainda iluminação pública e as ruas e quintais eram muito escuros.
Quando morava em São Miguel Paulista, tínhamos uma vizinha, de nome Maria Luiza, que dizia ver as cadeiras da casa dela andando e, além disso, ela gostava de revirar os olhos, que ficava todo branco e aquilo metia medo na gente de um jeito que eu não gostava muito de ir à casa dela.
Minha irmã dizia que via pessoas estranhas, inclusive quando meu avô ficou doente, ela entrou no quarto dele e disse que viu um homem de chapéu acima da cama dele. Pouco tempo depois recebemos uma carta avisando da morte de um irmão dele que morava no Ceará. Não tem nada a ver, mas na minha casa já falaram que aquela visão foi um aviso.
Quando meu avô morreu, em 1968, eu nunca tinha visto uma pessoa morta. Foi velado em casa, que ficava ao lado da casa que nós morávamos. Talvez por causa até dessas histórias de lobisomens e outros bichos, sentia muito medo à noite, após sua morte, pois muitas pessoas diziam que alguns mortos voltavam para puxar os pés dos vivos quando estava dormindo.
Eu nunca tinha visto nada sobrenatural e nem queria, mas quando meu cunhado morreu, em 2002, 23 dias após levar um tiro em um assalto, eu estava no ponto do ônibus para ir ao cemitério para o velório, muito perturbada por sinal, pois nunca alguém da minha família havia morrido assassinado, quando ao olhar para o lado, projetei a imagem do meu cunhado na minha mente, de tal forma, que parecia que ele estava ali, sorrindo para mim. Sei que não era ele, pois não havia um corpo para ser visualizado, pois a palavra de Deus diz que os mortos não podem se comunicar com os vivos, pois para eles só resta o esquecimento. Eu não vi meu cunhado, mas mesmo sendo uma imagem boa que eu visualizei, aquilo me deixou mais perturbada ainda naquele momento.
Hoje, apesar do tempo que passou, não gosto de assistir filmes de terror ou de suspense, na verdade, nunca gostei. Acho um tanto quanto tétrico e demoníaco. Mas tem quem goste, fazer o que?
O bicho que hoje me mete mais medo com certeza é o bicho-homem.
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