Vergonha no ônibus

Certo dia, entrei em um ônibus na Avenida Celso Garcia, que, milagrosamente não estava cheio – talvez por ser meio do dia. Ao chegar à roleta, soltei-me para pegar o dinheiro da condução , quando, inesperadamente o ônibus deu uma bela freada que me jogou quase no final do corredor! Um carro cortou sua frente quase provocando um acidente.

Estava de vestido curto – naquela época (eu não tinha 15 anos ainda), era muito comum esse comprimento. O triste é que, ao cair, não tive como segurar a pasta que eu estava carregando – pasta da empresa com documentos que eu tinha ido reconhecer firma no cartório do Tatuapé – e ao mesmo tempo ajeitar, ou puxar o vestido para baixo. Fiquei tão nervosa com a situação que piorou quando, ao olhar para o fundo do ônibus vi três garotos que estudavam também no Estadual da Penha e presenciaram aquela triste cena! Sem outra alternativa, super envergonhada, ocorreu-me fechar os olhos e ficar ali no chão, deitada!

O ônibus parou e as pessoas me socorreram, achando que eu havia desmaiado ou coisa do gênero. Colocaram-me sentada no banco e, aos poucos, abri os olhos e disse que estava tudo bem. Vocês podem me recriminar, mas acho que se fosse hoje eu recorreria a esse mesmo expediente. É muito chato, vergonhoso e frustrante você perder totalmente o domínio de você, da situação; do nada, ver-se jogada para longe! Aguentei algumas brincadeiras no colégio, mas eles foram gentis e não me gozaram muito. Aprendi, depois disso, a me segurar melhor quando não estou no comando ou na direção, seja do que for!

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