A cidade de São Paulo

A cidade de São Paulo é para poucos. Ela reduz você à sua insignificância ao mostrar-se grandiosamente assustadora. Joga no chão seu orgulho, prepotência, títulos, envolvendo-o no anonimato. Torna-o invisível, isto a partir do momento em que você cruza os portões do gueto aonde vive confinado e se deixa levar como parte daquela multidão que esbarra, tropeça, aperta e parece surgir do nada.

Aqui tudo é "top", é " in", é " must", envolvente, sufocante, ruidosamente real.Trânsito caótico, ônibus, carros, motos, bicicletas, em uma dança infernal, faróis que alternam cores rapidamente e tornam o cruzar ruas uma espécie de salve-se quem puder e de anjos da guarda de plantão que nos socorram.

A maioria chega, fica e qual aves de arribação partem para algures e alhures, excomungando este caos nosso de cada dia. Agora, os que ficam, despojados de toda ou qualquer condição, estes nunca mais a deixam porque tornam-se guerreiros, de aço.

Isto porque, quando a tarde começa a declinar, e o sol a se por e estrelas, uma após outra, começam mostrar-se no céu cinzento e poluído, São Paulo se acende em mil cores e neons. E se mostra qual uma encantadora mulher, brilhante, cintilante e imperdível diante da gama de programas e diversões que nos proporciona.

Única, envolvente, inesquecível.

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