Passeio de domingo – Vila Galvão

Gosto de passear pela cidade aos domingos, revendo lugares onde não vou há tempos. Lembrei-me de um lugar na zona norte onde fui muitas vezes quando menino. Esse lugar chamava-se Vila Galvão, e eu só o descobri porque a mãe de um colega tinha uma irmã que morava lá, e em uma das vezes que foi visitá-la levou junto o filho (O Rato) e seus dois colegas: o Ermelindo e eu.
A condução saía da Cantareira, sim, da estação Cantareira, onde uma maria fumaça ia pelo meio das ruas do carandirú, soltando fagulhas e apitando para avisar os pedestres e veículos, e assim, ia se afastando cada vez mais da cidade, até trilhar pela sua própria linha. Nada havia nas margens da ferrovia. Uma casinha aqui, outra mais adiante, até que se chegava na estação Vila Galvão. Era uma festa.
A casa onde íamos ficava perto de onde estava sendo construída uma estrada de rodagem, e as máquinas de terraplanagem cortavam os morros e deixavam enormes barrancos de terra vermelhinha. Não dava outra! Íamos rolar por esses barrancos, engolindo terra até ficarmos vermelhos de tanta poeira, e todo grudado de terra. A bronca era enorme, mas o prazer de rolar naquela terra fresquinha, fazer guerra de peloter de terra molhada, era inigualável.
Na volta para casa, quase sempre lá pelas 19 horas, dormíamos no trem, sob os olhares assustados dos passageiros, pois a roupa voltava imunda.
Não reconheci a Vila Galvão, nem mesmo sei onde era a antiga estação, mas a rodovia que estavam construindo era a Fernão Dias.