Morávamos na Rua Sete Lagoas, na Penha e meus padrinhos moravam algumas casas acima da nossa.
Minha madrinha ia todos os dias visitar seus pais (com quem morávamos) e levava seu filhinho, que eu adorava!
Quando ele completou um aninho de vida, ficou decidido que a festa seria em nossa casa! Vibramos com a novidade! Acompanhávamos extasiados todos os preparativos: os docinhos, a arrumação – foi modificada a disposição dos móveis da sala – a decoração do bolo, enfim, tudo estava sendo feito em casa.
Após tudo estar arrumado, meu irmãozinho e eu – ele com quatro e eu com aproximadamente cinco anos de idade – fomos até onde estava o bolo e ficamos um tempão admirando-o! Ele estava tão bonito e aquelas rosinhas de glacê colorido estavam implorando para que as experimentássemos! Apesar da pouca idade, no fundo acho que eu sabia que não seria correto, não me lembro bem, mas acabei não resistindo! Acho que devoramos todas as rosinhas do bolo! Digo acho, porque não tenho muitas lembranças dessa época da minha vida, só algumas passagens (como essa)!
Em algum momento, alguém entraria e veria o estrago que fizéramos e eis que a minha madrinha entrou e quase teve um colapso! Não me lembro se nós nos delatamos ou se descobriram por eles mesmos os autores daquela façanha, mas de uma coisa lembro-me com perfeição: da surra que nós dois levamos! Foi merecida, reconheço, mas acho que exageraram no castigo, pois éramos muito pequenos! Danados, mas pequenos! Sabíamos, eu, pelo menos sabia, que era errado, mas não tinha dimensão do tamanho do estrago que isso causaria. Acho que não pensei nas consequências daquele ato. Se fosse hoje em dia, acho que teriam nos castigado de uma outra forma, para que aprendêssemos a lição, mas, no íntimo, ririam do acontecido! Não sei. Sei que nunca mais tive vontade de comer florzinha de bolo!
E-mail: [email protected]