Uma tarde no parque

Senhora Margaret, não acredito! E não é que este mundo é pequeno. Incrível como consegui reconhecê-la, pudera a senhora não mudou muito, continua com aquela beleza que era motivo de disputa dos rapazes do bairro do Paraíso.

Aconteceu este reencontro numa tarde ensolarada na semana passada. Margaret costuma dar suas andadas por este parque. Foi curioso este encontro, pois a mesma me reconheceria de pronto. Deu tempo para sentarmos num banco de um jardim para batermos um papo e recordar os tempos de uma juventude sadia onde as amizades se solidificaram.

Puxa Margaret… Não vou mais chama-la de senhora tal a nossa intimidade, nos bons tempos a gente passeava muito junto com a moçada, existia a lealdade… Recordo principalmente aquele momento que você estava brigada com o Marcio, o galã do bairro dos Jardins e talvez, por pirraça, aceitou passear comigo neste mesmo bosque onde nos encontramos.

Desculpe agora a ousadia daquele beijo dado na escuridão do Planetário tendo como fundo uma musica de Chopin. Fui afoito demais, mas você já era tão linda… Não resisti.

Soube posteriormente que fizeram as pazes e ocorreu o casamento… E agora aconteceu a sua viuvez. Todavia a vida tinha que continuar.

Eu, Margaret, como você percebeu, continuo o mesmo galanteador, romântico a toda prova. Não adianta, a gente nasce com esta personalidade… Pena que muitos dos nossos entes queridos já foram para um andar superior, faz parte do destino… Muitos caminharam também por este espaço florido, o belo parque onde nos reencontramos depois de tantos anos.

Margaret, agora que estamos mais íntimos, receba esta flor que acabo de roubar do jardim perto do lago como prova de uma eterna amizade, que por detalhes não passou de um lindo romance em um passado distante. Senhora, ou melhor, Margaret receba esta flor…

E-mail: [email protected]