Estava conversando com minha irmã sobre como as pessoas encaram a sexualidade nos dias de hoje, quando recordei de nossa simples infância. Morávamos lá na Vila Nivi, zona Norte de São Paulo, onde aconteciam coisas da qual não entendíamos o motivo e nem o porquê. Tínhamos uma vizinha sisuda, com um casal de filhos, em que o menino caçula brincava sempre de casinha conosco (embora meus irmãos também brincassem), quando ela descobria, puxava ele pela orelha e não o deixava sair nem no portão por vários dias seguidos…<br><br>Atrás da rua onde morava, tinha um outro garoto e eu me recordo muito bem da cara da sua mãe quando ele se vestia de anjo nas procissões da igreja, mas queria sempre ser o anjo rosa e ela nunca deixou… obrigava-o a se vestir de anjo azul e ele chorava na frente de todos dando um “piti” sem nenhuma cerimônia e nós continuávamos brincando e correndo sem nenhuma indagação.<br><br>Eu tinha uma prima de uns 13 anos, que quando chegava em casa nos metia medo. Ela falava diferente, falava firme e meio grosso, parecia um moleque. Empinava pipa (coisa que eu também fazia com meus irmãos), mas era estranho o jeito dela sempre arredia e querendo brigar com todos.<br><br>O primeiro personagem desta história, o da mãe sisuda, foi mandado para a casa de uma tia no interior de São Paulo para estudar o curso ginasial, segundo a mãe, lá tinha boas escolas e boas companhias, nunca mais soubemos dele… Nós crianças até sentimos saudades daquele menino alegre, que sempre queria ser a branca de neve nas histórias, ou a mamãe, quando brincávamos de casinha, mas nunca questionamos ou indagamos o porquê.<br><br>O segundo personagem (aquele que queria ser o anjo rosa), assim que completou 14 anos, foi mandado para um seminário no interior para seguir sua vocação, era assim que dizia sua mãe toda orgulhosa para a vizinhança… Ele nunca mais voltou, nem para visitar os pais…<br><br>Minha prima durona nunca se casou e nem teve filhos, ela vivia em casa trancada só cuidando da mãe doente, estranhamente seu rosto era áspero e ela não falava com quase ninguém. Hoje, relembrando essas histórias, tenho a nítida certeza de quanto essas pessoas se reprimiam e se matavam por dentro e por fora, pois a ignorância das pessoas era total.<br><br>Confesso que tenho dificuldades em aceitar o diferente, mas respeito e não opino sobre o assunto. Para mim, todos tem que ser respeitados, desde que respeitem e se portem como cidadãos. É muito grosseiro, chocante e feio qualquer casal, sejam hetero ou não, se beijarem em lugares públicos desrespeitando as pessoas em volta. Já pedi para um casal de namorados pararem de se beijar vergonhosamente na fila do cinema por estar com duas netas e ao lado de outras crianças.<br> <br>Ainda tem que existir respeito e pudor, no mínimo em frente às crianças, idosos ou lugares públicos. Nos shoppings, na porta das escolas, metrôs é vergonhoso de se ver jovens aos beijos, como chamam. Sempre penso: O que será que fazem os pais destes jovens que não ensinaram respeito e pudor em momento algum a eles. Talvez esta frase seja muito certa e sábia: "Só ensinamos o que sabemos e educar dá muito trabalho!”.<br><br><br>E-mail: [email protected]