Irmã caçula

Lendo o texto da Vera homenageando sua irmã caçula pelo aniversário, lembrei-me do nascimento de minha irmã caçula. Numa tarde de inverno, lá pelos idos de 1965, na nossa casa da Rua Umuarama, na Vila Prudente, logo que cheguei da escola minha mãe disse que precisava me contar uma coisa. Chamou-me em seu quarto e, enquanto arrumava algumas roupas na gaveta na cômoda, contou-me que, em breve, teríamos um nenê em casa e que ela, minha mãe, é quem daria a luz a esta criança.

Eu fiquei surpresa e confusa, mas eu queria saber tudo… Quando o bebê viria? Porque minha mãe queria mais um filho? Ela já tinha três. Ela sentia-se envergonhada e mal me olhava ao falar… Disse que foi Deus que quis assim e pronto. E ela precisaria muito de nós, seus filhos. Aceitei, claro e me prontifiquei a ajudar no que fosse preciso.

A partir daquele momento, eu não parava de pensar naquele bebê. Como seria ele? Como se chamaria? Seria menino ou menina? Sentia-me feliz. Afinal, mesmo com meus quase 10 anos de idade, já entendia que era uma verdadeira benção a chegada de uma criança em casa.

Ao longo dos meses, vi o corpo de minha mãe se transformar. A barriga crescia e tinha aqueles sintomas indesejáveis… As náuseas, o desconforto, tudo enfim. Os meses se passaram, passou o Natal de 1965, o Ano Novo também passou e minha mãe estava cada vez mais bonita, com sua barriga enorme e seu jeito delicado de acariciá-la.

Na manhã de 19 de março de 1966, minha mãe amanheceu já se sentindo mal, com dores fortes na barriga. Ela pediu-me que fosse chamar minha avó (sua mãe) e lá fui eu, correndo para casa de minha avó… Era bem pertinho, na Rua Angelina Techio Cidro, travessa de nossa rua, bem em frente à nossa casa.

Minha avó veio para nossa casa ver minha mãe e logo saiu para buscar a parteira. Era comum, naquela época, as mulheres terem seus filhos em casa mesmo, com a ajuda de uma parteira. Aliás, foi a mesma parteira que já tinha feito os outros três partos de minha mãe, em casa.

Lembro-me que fiquei o tempo todo no quarto ao lado, pois minha avó não nos deixava entrar no quarto de minha mãe. Eu sentia tanta dor de cabeça e minha avó me aconselhou a rezar… Sim, a fazer uma prece, para que tudo corresse bem e para que logo o nenê nascesse. Assim fiquei; o tempo todo do trabalho de parto de minha mãe, no quarto ao lado, rezando por algumas horas.

Foi tão incrível… Assim que escutei o choro do bebê, minha dor de cabeça passou como se tirassem com a mão. Eu queria entrar no quarto imediatamente, mas minha avó não deixava… Pedia para esperarmos o momento certo e nos contou que era uma menina.

E foi assim… Quando a parteira nos autorizou a entrar para ver minha mãe e o bebê, entrei eufórica no quarto. Fui olhando curiosa por todos os lados… Muitos panos, algumas bacias com água e outras tralhas… E o bebê, nos braços de minha mãe que repousava, exausta.

Aquela menininha, tão pequena, iria mudar nossa vida para sempre. Desde seu nascimento me apeguei muito a ela e ajudava minha mãe em tudo o que fosse preciso. Acabei mimando muito, confesso, mas hoje somos muito amigas. Amigas e irmãs. Ela é a Claudia Assis e amo muito.

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