Canários Paulistas II quer explicar o que acontecia nos arredores das plantações de colonos do sul, aqui no “interior (zão)” de Santa Catarina, terras buscadas pelos imigrantes para plantações, sobrevivência e enriquecer. A produção era mais para consumo, ou comércio que não podia ver nesse tempo; ou era para consumo ou para engorda de porcos.
Foi de uns tempos para cá que a produção agrícola teve a valorização a peso de ouro. Tudo o que é colhido tem valor ainda que inexista política agrícola no país, para os hortifrutigranjeiros e afins em nosso país.
Nesses ambientes de cultivo é que observávamos os canários manifestarem a sua beleza e grandeza, seu estilo ímpar de pássaros canoros e de difícil aprisionamento.
Sei porque fiz de tudo para aprisioná-los, mas falhei e compreendi que eles têm uma natureza própria que os protege, deve ser sua própria honra.
Em ambientes da cultura paulista, os pássaros têm praticamente os mesmos hábitos, mas como não tive essa convivência, declino em opinar. Os pássaros dessa espécie que tive o prazer e o privilégio de conviver eram pássaros sadios, que moravam a uma altura acima dos dez metros; não são esses que vivem em bandos, mas isolados, só ele, a fêmea e seus filhos que depois de procriados assumem sua postura.
Esses pássaros, canários da terra e o paulista, o nordestino, o mato-grossense e espécies de demais regiões têm a sua própria história, são pássaros canoros, silvestres, da "terra" e que se confundem também com canários da "telha", dos telhados, onde vivem, ou terra mesmo, produto de raiz, ali mesmo são criados ou vindos de onde não sei, se estabelecem ali como pássaros do lugar, por isso seu nome, canários da terra, termo por mais que apropriado.
Os canários da terra têm no colecionador uma atividade própria. Sabem o reservatório apropriado, são as gaiolas de repartição, que só os aficionados e apaixonados conhecem, sabem como ninguém confeccionar tais gaiolas.
Conheci uma pessoa assim, o Sr. Pedro, perdia-se tempo vê-lo confeccionar as gaiolas em uma estação de rádio, terrestre, seu Pedro era o encarregado de cuidar da estação da rádio, morava em uma casa de madeira, dentro do terreno da torre e nas horas “vagas”, fazia sua produção. Era tão hábil que as varetas da gaiola tinham uma mesma dimensão, isto é, um mesmo diâmetro apropriado ao furo nas barras horizontais, o que as tornava homogêneas. Esse cuidado fazia com que os pássaros não se ferissem ao toque no bambu, para não ferirem seus focinhos, próximos ao bico da ave, na tentativa de se livrarem da prisão.
Assim mesmo exercendo uma atividade proibitória tinham os aficionados, preocupação com o bem-estar da ave. Só haverá essa libertação quando o caçador conscientizar-se de que seu hábito é danoso à ave, do contrário terá esses cuidados com a ave que diz ser seu bicho de estimação, mas só para seu prazer, não para a ave, logicamente.
Canários da terra, pardos quando nascem em geral três a quatro filhotes. Sendo todos penados, já saíram dos ninhos, se destacam pelo grito de filhotes chamando a atenção do pai e da mãe, canários machos e fêmeas responsáveis pela criação. Só depois de um certo tempo e tendo já aprendido a se defenderem, cuidar da própria alimentação e abrigo serão adultos e livres.
É um programa de valorização da natureza observar essas fases da movimentação dos pássaros e a infeliz ideia de aprisionamento que se chega a esse conhecimento, não sabemos se valerá pena pagar com a prisão o fato de ter que ensinar como uma espécie de pássaros pode ser devidamente valorizada, sem ter que confiná-la a uma prisão, a gaiola, no caso de repartição.
Repartição serve para o manejo das aves, de um lado fica a fêmea e do outro o macho, só tem contato quando do acasalamento, do contrário, o convívio sempre aberto enfraquece o macho a mercê da fêmea. Aos humanos isto serve para entender que o acasalamento só serve para a criação e não só para o ato libidinoso.
Canários da terra, ou canários paulistas, são donos de sua própria história e no meu caso sou só o contador delas, essas aves que aprendi a gostar e admirar pelo seu porte, desempenho, obediência a suas origens, beleza e garbo. O casal é algo inconfundível de amor de entrega, coisa que muitos pais não sabem e não aprenderam a fazer com tanto esmero. Acasalar-se e procriar filhotes para sua perpetuação. Nem toda fêmea adapta-se ao macho.
Ela precisa dominar para que o casal dê certo, se o domínio for machista não dá certo o casal, isto eu atesto com todas as letras, palavra de colecionador experiente e pratico no cultivo e cuidado da ave. Foram incontáveis as vezes em que criei esses pássaros e os colecionei por simples admiração e hobby (passatempo) bem saudável.
Canários da terra ou paulista, segunda edição.
Observação final: Como fazem os ninhos em gaiolas ou em locais para criação, será o próximo capítulo.
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