Apelido, o Carioca

Na década de 50 a 60, o futebol de várzea era muito forte, cada bairro tinha três ou quatro times, com grandes jogadores, alguns jogaram até nos times da capital, como Palmeiras, Corinthians, etc… Na Rua da Consolação nós tínhamos os times Cruzeiro, Estrela, Glorioso, Costa Rica, todos com grandes jogadores. Eu jogava no Costa Rica, até que um belo dia apareceu um cidadão carioca, ele estava mudando para a Rua da Consolação, e logo fez amizade com os amigos, e foi convidado a jogar no Costa Rica, ele aceitou e assim foi. Tínhamos um jogo no sábado, ele jogou no segundo quadro. E foi um sucesso, um verdadeiro jogador profissional, acabou com o jogo, e logo passou a jogar no time principal.

Todas as noites nos reuníamos no bar do Bigode, ficava na Consolação com a Av. Paulista, era uma farra geral, mas ele nunca falou o seu nome, falava: me chame de Carioca, e assim ficou. O seu apelido pegou, todos o chamavam de carioca, ele era de estatura mediana, moreno, de cabelos pretos, a pele queimada pelo sol, um verdadeiro frequentador da praia, ele nunca falava de mulher, estava sempre sozinho ou acompanhado de uns rapazes, que não era do bairro da Consolação.

Certa vez saiu uma briga no campo de futebol, todos os jogadores acabaram brigando; ele, o Carioca, tirou uma navalha de dentro do calção e começou a dar navalhadas nos outros jogadores, foi uma correria geral, a polícia foi chamada e o carioca desapareceu do campo. À noite, no bar do Bigode, fomos falar com ele, não sabíamos que ele jogava com uma navalha dentro do calção e pedimos que ele não jogasse mais no Costa Rica, não queríamos encrenca com a polícia, de repente ele desapareceu do bairro, mais tarde nós soubemos que ele era um carioca muito violento, tinha fugido do Rio de Janeiro, nunca mais soubemos nada dele, apareceu de repente e sumiu de repente. Lembramos do Madame Satã, que apavorou o Rio nos anos 40; era muito valente assim como o Carioca.

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