São Paulo – palco de nossas vidas

459. Aniversário da cidade mais importante da América do Sul. Pujante, imponente, amada e odiada na mesma intensidade. Vivendo durante 70 anos em seu solo, acompanhando seu desenfreado crescimento, não consigo abandoná-la. Rendo-me a ela, transcrevendo um texto que li e considero apropriado para sua grandeza, nesta importante data.

Sexta-feira que vem, dia 25, é aniversário de São Paulo, mas muita gente acha que a cidade não merece ganhar uma festa. Motivos para os críticos não faltam: enchentes, trânsito e violência são as primeiras das várias razões que me vêm à cabeça. Mas permita-me discordar um pouco desse pessimismo e dizer com todas as letras: apesar dos problemas, eu amo São Paulo. Claro que tudo isso me incomoda. Mas é justo criticar a cidade? Não seria mais honesto admitir que ela é o reflexo do que fazemos dela? As ruas são apenas o palco onde nós, cidadãos, encenamos nossos dramas, fracassos, sucessos, também as nossas alegrias.

Não, não esqueci dos políticos incompetentes, responsáveis por muitos desses problemas. Mas até nesse caso também é nossa: eles não chegaram lá por acaso; foram eleitos. Guarde sua raiva na gaveta por um momento e reflita. Você não acha que a culpa pelas enchentes na cidade também é do cara que joga lixo no bueiro ou das empresas que poluem o Tietê? E o trânsito, não fica pior graças ao preguiçoso que usa o carro até para ir até a padaria da esquina ou os ricos que compram outro carro para fugir do rodízio? E o que acha da garotada (de todas as classes sociais) que usa drogas na balada e dai é assaltada e reclama da violência do tráfico?

São Paulo não tem culpa. Voltando a metáfora do início do texto: a culpa nunca é do palco, mas dos atores. E os atores somos todos nós. Uma pesquisa diz que seis entre cada dez paulistanos gostaria de deixar a cidade. Por acaso eles estão acorrentados às suas camas? São Paulo não precisa de gente que odeie a cidade, precisa de gente que quer fazer daqui o melhor lugar do mundo. Não só para nós, mas para nossos filhos e netos. E se esses entrevistados deixassem mesmo a cidade, São Paulo ficaria como nas férias, mais vazia. E muito mais gostosa.

A minha São Paulo é maior do que os problemas que a afligem: é a cidade onde nasci, onde cresci, onde estão meus amigos e minha família. É por isso que te amo, São Paulo. Parabéns para nós, por termos você como palco de nossas vidas.

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