No Paraíso, a avenida engoliu a praça!

Lógico, muitos se lembrarão. Quando a 23 de Maio, final da década de 60 se concretizou, saindo do papel para o asfalto, veio devorando o chão do vale, do Centro até o Ibirapuera. No Paraíso, engoliu a Praça Rodrigues de Abreu, o antigo "Largo do Guanabara", onde sobressaía a igreja de Santa Generosa, cuja segunda edificação está na Bernardino de Campos, prédio bem menor, próximo à tradicional panificadora Viana, justamente onde, àquela época, entrecruzavam-se os dois: "Avenidas" e linhas da CMTC, de ônibus (2-Avenidas; 3-Avenidas). Uma em cada sentido. Dizia-se frequentadas também por "batedores de carteira".

Entre a Praça e a Rua do Paraíso, uma interligação de paralelepípedos, sem residências, com largos acostamentos. Se não me engano nesse local, aos domingos, feiras-livres. Aí também, de tempos em tempos, instalavam-se cirquinhos e parques de diversão. E estacionavam os ônibus do Expresso Brasileiro, que saíam da Bernardino, para o litoral, via Vergueiro. Na Rua Paraíso passava o bonde 36-Avenida Angélica, em ambos os sentidos – para o Centro! Desse trecho da Paraíso, através do vale, avistavam-se prédios lá da cidade.

Descendo a Vergueiro, com ônibus e bondes nos dois sentidos, embora estreita, o prédio da SAMDU (pioneira no atendimento médico público, oficial) e mais abaixo o Cine Leblon. Em frente à escadaria do Santo Agostinho, onde hoje se estica o viaduto Beneficência Portuguesa, uma outra (singular) escadaria: estreito, um lance de cimento, até o fundo do vale, uma pequena ponte, outro lance de escada, agora de madeira, até o final da João Julião. E continuando pela João Julião, inevitavelmente iríamos encontrar a bela e inesquecível – prédio tipicamente americano – loja de departamentos, Sears Roebuck, na Treze de Maio. De aromas e vitrinas simplesmente inolvidáveis… E na Praça Osvaldo Cruz, o índio eternamente apontando a lança para um peixe imaginário, no pequeno lago…

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