Mosquito paulistano ridículo

Cidade que fica o ano inteiro tentando descobrir focos de dengue, nas caixas d'água, pneus abandonados, pratos de samambaias e lajes planas mostrando para todos habitantes, as larvas capturadas dos mosquitos rajados da dengue que estavam se proliferando, infelizmente se esquecendo do maior ninho de mosquitos da metrópole, água parada em uma área de quarteirão e meio, 15 mil metros quadrados de permanentes depósitos de larvas de mosquitos onde todo verão 1.500.000 mosquitos atacam a população indefesa e sem recursos para enfrentar essas nuvens de mosquitos criadas nos Jardins nas águas poluídas do Parque do Ibirapuera.

Me desculpe sinceramente senhores Manequinho Alves, Lucas Nogueira Garcez, Oscar Niemeyer, Roberto Burle Max e recentemente Pão de Açúcar com sua fonte luminosa, mas é muito chato toda noite esse enfrentamento com tantos mosquitos querendo o nosso sangue. Como dizia o poeta Drummond:

“Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo…”

Por isso digo e repito, é muito chato todo verão enfrentar nuvem de mosquito. São criados nas águas paradas dos lagos do Parque Ibirapuera. Felizmente um dos lagos já foi aterrado nos anos 60, para dar lugar a nossa Assembleia Legislativa. Os outros dois permanecem infestados, tamanho de 1% do parque, na natural fedentina de gás metano, depositários de larvas de mosquitos felizes de ter onde procriar. Haja paciência. Haja sangue para tanto mosquito.

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