Função: estilo de vida – parte I

O ano é 1982, mês de abril, mês que vem faço 15… Sou o mais novo da banca, o Juca e o Márcio têm 19, o Dába tem 18, o Zeca, o Pulga e o Tatau 17, o Cuca fez 16 em setembro.

Todo ano é a mesma coisa, com os quatro dias de convivência na Tiradentes durante o carnaval, a juventude das periferias acabam alinhando seus estilos e após a festa sempre surge um novo movimento. Apesar da minha pouca idade, já vi isso acontecer duas vezes: quando pisei pela primeira vez no lendário salão do Palmeiras em 1979, o Black Soul imperava com os manos e as minas vestindo social, sapato bicolor, terno etc…

Após o carnaval de 80, um fenômeno aconteceu: todos em São Paulo se maravilharam com a chegada de um tênis americano chamado All Star. O sapato do Isaac perdeu um pouco de força e o All não combinava com roupa social. Assim, quem tinha condição botou um importado no pé; tinha o preto, o azul, o laranja, o verde e o branco (com a etiqueta de trás azul ou preta).

Para acompanhar uma Levi's Collor ou jeans ia bem. Mas tinha outro problema além do preço: por incrível que possa parecer, na saideira do Palmeiras, em junho, enquanto eu, o Cuca e o Dába esperávamos o Tatau que tinha levado uma mina até o ponto ali na Francisco Matarazzo, vimos uns caras que estavam no baile circulando pelos pontos lotados e assaltando outros caras que também estavam no baile, levando seus tênis e deixando-os apenas de meias. Eu e o Cuca tínhamos apenas 13 anos e achamos aquilo impressionante. Por isso nem todos tinham coragem de colocar o All no pé e o que predominava era o Rainha Iate ou Monte Car.

Os bailes do Palmeiras continuaram fortes, mesmo com a mudança. O Soul foi sendo substituído pelo (original) Funk, mas o Mr. George Clynton, o Parliament entre outros faziam um som que misturava o ritmo do Soul com a nova batida pesada vinda diretamente dos guetos de Nova York e era um som irresistível. Estávamos apenas no começo da melhor década de todos os tempos, os anos 80.

Continua…

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