Que título você daria a minha história

A nossa vida em seu dia a dia passa tão depressa que nem dá para notarmos. Quando acordamos já se foi o primeiro mês do ano, depois o mês de férias e finalmente já é Natal. De repente estamos matriculados na escola, já vem o segundo ano e em um piscar de olhos já estamos com o diploma na mão. Sempre fui uma pessoa muito dedicada que aprendia tudo com facilidade. Na minha infância meus pais saiam para trabalhar e eu ficava com o meu irmão mais novo sob a minha responsabilidade. Já com 12 anos assumi a responsabilidade de cuidar da Igreja Cristo Rei no Tatuapé como Sacristão. Acordava às 5h30 da manhã, abria a Igreja, tocava o sino às 6h e começavam as missas das 6h às 9h da manhã com duração de 30 minutos cada. Fechava às 12h e reabria às 14h, menos aos domingos que os horários eram diferentes, estudando à noite.

Com 14 anos tirei a carteira de trabalho de menor e já entrei no banco, morando no Tatuapé e trabalhando em Osasco. Tomava o bonde na Celso Garcia, descia na Clovis, andava até o Anhangabaú, onde tomava o ônibus para Osasco e vice-versa. Isso por um ano, onde fui transferido para o centro de Sampa na Rua XV de Novembro. Com 16 anos já era chefe de setor comandando 12 funcionários. Como a parte operacional não era o meu forte, passei para a parte técnica, onde encontrei a minha verdadeira profissão. No meu trabalho, seja qual fosse o equipamento que surgisse na minha frente, não media esforços para aprender o seu funcionamento. Aprendi mecânica de máquinas e aperfeiçoei nas máquinas de Telex, onde instalava e consertava. Na área de telefonia aprendi sobre Centrais Telefônicas e aparelhos telefônicos. Depois vieram as centrais de telex, as impressoras, copiadores e fax. Surgiu a parte de alarmes e correio eletrônico. Finalmente trabalhava em homologação de equipamentos na área de voz e textos, sendo suporte técnico de todos esses equipamentos.

Para se ter uma ideia, minha filha do primeiro casamento nasceu às 13h de um domingo, e às 23h já estava dentro de um ônibus indo para Curitiba por onde trabalhei por oito meses, estando em casa somente nos finais de semana. De Curitiba viria depois Florianópolis, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Ouvia de minha esposa, na época, que minha filha conhecia mais o avô do que o pai e com razão. Minha ficha só foi cair quando minha esposa pediu a separação, onde eu passei a acreditar, mesmo sendo uma situação diferente das drogas ou das bebidas, mas não deixou de ser um "vício" esse meu trabalho, estando ele sempre à frente da minha família. Fiquei solteiro por dez anos. Aí sim a dedicação foi total, onde não tinha parada, rodando esse Brasil de ponta a ponta. Nesses anos com todas as dificuldades e dissabores da minha vida pessoal, vem o momento da reflexão. Busquei ajuda com amigos, com os mais velhos, e ouvi uma história do Padre Germano que disse o seguinte:

“Ela estava com pressa. Sempre com muita pressa. Maria, sua filha de quatro anos, estava ouvindo e dançando uma de suas músicas favoritas. Contudo uma pequena voz dentro dela disse, "Pare". Então ela parou. Ela a olhou. Agarrou sua mão e começou a dançar. Sua filha de sete anos, Helena, veio ao seu encontro, e ela a agarrou também. As três entraram numa de dançar por toda a sala. Estavam rindo. Estavam dançando. A canção terminou e sua dança terminou com ela. Ela deu um tapinha nos seus fundilhos e mandou-as para o banho. Subiram as escadas, suas gargalhadas ecoando pelas paredes.

Ela voltou aos negócios, quando ouvi a mais nova dizer para sua irmã, – Helena, nossa mãe não é a melhor do mundo? Ela congelou. Como tão perto ela esteve, por causa das pressas da vida, de perder esse momento. Seu pensamento foi aos prêmios e diplomas que cobrem as paredes de seu escritório. Nenhum prêmio, nenhuma realização poderia superar esta: Nossa mãe não é a melhor do mundo? Sua criança disse isto aos quatro anos de idade. Nossa mãe não é a melhor do mundo? Isto não cabe em meu currículo disse ela. Mas eu o quero em minha lápide.“
Pausa – depois o padre Germano finalizou: “Quando Deus fecha uma porta Ele abre uma janela! Pense nisso.”

Como de fato, conheci outra mulher que se tornou minha esposa, estando casado a mais de 22 anos, com três filhos homens e uma neta, e a minha filha do primeiro casamento também casada, com uma neta. Continuei dedicado ao trabalho, mas dá para contar nos dedos quantos finais de semana eu não estive presente com a minha família.

Para finalizar, depois de 43 anos trabalhados nessa instituição com toda a minha dedicação, eles pelo seu lado continuavam investindo em novos cursos, isso até o final da minha carreira, estando eu gabaritado e atualizado em todos os produtos de ponta, acreditando que ainda poderia elaborar muitos projetos que tinha em mente, estando eu com 57 anos de idade. Mas pela segunda vez a “ficha caiu”, que, para o chefe não para o banco, eu era apenas o funcionário de nº. 36587, onde fui exonerado.

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