Natal. O verdadeiro significado desta data mágica e sagrada? Três pequenos episódios me chamaram a atenção. Fim da madrugada, ainda escuro; em uma estação de rádio o repórter descrevia cenas da Rua 25 de março e imediações onde era impossível caminhar: uma assustadora massa humana desesperada e apressada para comprar ou comprar. Impulsiva e desordenadamente; a febre desenfreada do consumismo com suas variedades, cores e preços de ocasião. No Natal é obrigatório se armar de coragem, doses de agressividade e paciência para se lançar na guerra das compras?
Poucas horas depois, um noticiário transmitia reportagem externa ao vivo, enfocando o burburinho dos shopping Centers. Foi indagado a uma criança:
– "Para você, o que é o Natal?"
Com a sinceridade dos inocentes, veio a pronta resposta:
– "É dia de ganhar presentes, comer panetone e um montão de comida!".
Alguns minutos mais tarde, um carro de propaganda percorria o bairro e anunciava pelo alto-falante: "Neste Natal venham comemorar/ ”bebemorar” conosco no Forró da Padaria Jardim São Savério ao lado do Parque do Estado".
Desapontado, recordei-me que há poucas décadas, as semanas que antecediam o Natal eram contagiadas pelas músicas natalinas tocadas pela harpa do Luis Bordón e guardava-se um profundo e silencioso respeito com muita oração e reflexão. Ouvia-se até o belíssimo "Oratório" de Johann Sebastian Bach. Aos amigos desconhecidos do SPMC uma venturosa passagem/entrada de ano e um forte abraço deste “ipiranguense” saudoso da simplicidade dos "tempos atrás". Com pouco éramos felizes.
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