Todos os “cinquentões” no mínimo têm passado, observado e participado da evolução da tecnologia em todos os setores, vivemos uma transformação do tipo cem anos em um ano, muitos só observam e não participam, ficam admirando a mudança, não acreditam ou fazem questão de ignorá-las.
Uns falam mal, outros desprezam, parecendo a fábula "A raposa e as uvas", mas a realidade está presente entre nós, principalmente quem trabalha ainda. Somos "empurrados" para a tecnologia, cada vez mais presente, mais atuante, uma verdadeira massificação.
Desde 1993, quando perdi meu emprego e por causa da idade fui obrigado a abrir uma empresa, pois estava difícil uma colocação no mercado de trabalho, mesmo com toda a bagagem e mesmo porque era uma época de crise, governo Sarney, um desastre, inflação de 3% ao dia, correria aos bancos para aplicar o salário em Over Night, para enfrentar a inflação.
Depois a esperança com um governo jovem contra Marajás, Collor, veio a decepção, retenção da poupança e corrente, "todo mundo" ficou com Cr$ 50 na conta, desespero, suicídios, empresas fechando, abertura das importações sem controle, muitos brincavam: tenho o mesmo dinheiro do Silvio Santos.
Assim comecei a firma, mas com uma boa carteira de clientes, pois a empresa que trabalhava fechou o departamento que eu comandava e fui à luta, primeiro passo foi montar um escritório, telefone já tinha e a moda na comunicação nesse ano, 1993, ainda era o fone e telex, mas concomitantemente começava a era do fax, porém a maioria era com telefone separado, comprei um importado da Toshiba com fone acoplado, que maravilha para quem estava começando nova vida.
Em uma escrivaninha usada que ganhei de minha madrinha anos atrás quando ainda estudava serviu ao escritório, comprei um complemento dela e montei meu ambiente de trabalho em uma sala anexo onde moro. Na mesa, havia uma máquina de datilografia Hermes Baby portátil, surrada, mas funcionava, os erros eram corrigidos com uma espécie de papel com talco, tipo mata borrão que também sujava as mãos, nela fazia meus orçamentos e enviava via fax.
Depois de três anos comprei uma máquina de datilografia elétrica usada, mas ainda moderna, Práxis-20 Olivetti, quanta diferença, que maravilha. Tudo era datilografado e os desenhos feito a mão em uma prancheta de estudante formato A-0 e depois passado no fax e também recebia a resposta via fax, quanta rapidez e modernidade.
Nessa mesma época já estava bem difundido o PC, porém muito caro, lembro dos primeiros computadores, os primeiros que comecei a usar em 1995 era um AT-286, que eu dividia o serviço com o fax e a Práxis-20, pois tinha pouca prática e conhecimento, depois fui me adaptando para o PC-186, 286, 386, Pentium I, II, III e hoje estou com um Windows XP e estou para mudar para Windows7, sendo que já veio o Windows Vista e em breve será o Windows-8, quem consegue acompanhar tanta atualização. A prancheta de desenho também ficou no esquecimento, a minha virou mesa de apoio, agora os desenhos são feito no micro através do sistema CAD, que perfeição e rapidez.
Quanta dificuldade com o micro, ora era vírus, ora programas lentos, ora programa deletado sem querer, meus filhos crescendo e já mexendo também, era um pior que o outro a mexer no micro, o técnico não saia de casa e do escritório a consertar e nos ensinar. Resolvemos fazer um curso, que nessa época eram poucos, eu e meu filho e depois minha filha e as coisas foram melhorando.
Aos poucos fomos nos adaptando ao novo sistema e abandonando, primeiramente a Hermes Baby, depois a máquina Elétrica e depois no ano 2005, mais ou menos, definitivamente o insuperável e querido fax, mas todos ainda fazem companhia em um canto da mesa, quantas bobinas de papel usamos, tinha um problema grave essas impressões via fax, as letras apagavam com o tempo, por isso tínhamos que tirar cópias para arquivar os fax recebidos.
Desde então só o micro, onde se faz tudo, tem impressoras, um scaner, copiadora, um notebook acoplado, passa-se foto, webcam. Só não faz comida, mas dá receitas. Mas, ao meu lado na mesa e estante, ainda está, ali, as duas máquinas de datilografia, o velho fax, que meu anjo bom fala: – “Guarde de lembrança”
E o anjo mau retruca:
-“Joga tudo fora.”
Sem falar ainda nos livros de consulta, como Barsa, Manuais, Ábacos, todos empoeirados, mas ali está os aparelhos, e eu olho os com saudades e eles olham para mim, impressionante essa ligação, pois foram muitos anos de uso.
Para meu maior espanto, olho para a estante e vejo umas três caixas de acrílicos com disket, que até anos atrás era o fino da novidade tecnológica, os micros há muito tempo não tem mais esse drive. Mas logo abaixo o espanto é maior, uma centena de CDs e DVDs, apesar de usar ainda, mas sinto que está em desuso com aparição dos Pen Drive que cada vez mais com maior capacidade de armazenamento e baitagem e fácil de transportar, parecendo uma caneta e ali cabe o mundo.
Quanto à empresa, o espanto é maior, a cada mês que se passa menos papel usamos e eu que adoro papel, gosto de arquivá-los, escrever e juntar em um canto, em uma pasta.
Há uns três anos tudo é informatizado, orçamento, vendas, nota fiscal eletrônica, pedido eletrônico, todos os impostos e taxas, boletos, concessionária, tudo eletrônico, paga-se e nem precisa mais imprimir, arquiva-se o documento direto em uma pasta, banco só para casos especiais, acho estranho quando vou ao banco e vejo alguém na fila com conta de luz, água, fone para pagar, penso: não sou tão antigo assim ainda.
Falar em banco, lembro que nos anos 90 ia várias vezes por semana, foi quando criaram a fila única, ia com um calhamaço de papel de impostos para pagar, fora a entrada de borderôs, hoje com o sistema Simples Nacional, tudo se transformou em um único documento e pagável via internet, banco em breve com tendência a museu.
Nessa década de 90, com turbulência de novidades tecnológicas chega o celular e eu adquiri um em 1996, em uma inscrição e logo recebi a linha e fui comprar o primeiro, veio em uma "caixa de sapatos" de tão grande que era, parecia um tijolo como se dizia, usava no cinto e fazia um volume enorme, depois foram aparecendo os mini aparelhos, juntamente com o celular apareceu um tal de bip, que o pessoal também usava na cintura e recebia recado com o contato e fone, durou pouco tempo, pois o celular expandiu bem.
E mais recentemente aparecem os celulares com internet, dois e três chips, os Iphone, Ipad, i não sei o que, internet, foto, jogos, meu Deus o que falta aparecer, será que quando publicarem esse texto teremos mais novidades?
Recentemente fui a um velório de uma amiga de colégio e na igreja do cemitério, antes do sepultamento, participei das orações de despedida, um amigo ao meu lado de repente me fala baixinho:
-“Veja a bíblia dessa senhora a seu lado.”
Olho e vejo na mão dela, parecia mais um espelho todo escrito e do tamanho de uma folha de papel ofício e ela rezava mudando as páginas com movimento na tela na horizontal, um pequeno aparelho com toda bíblia dentro, sem ocupar volume e sem usar debaixo do sovaco, na hora de ir embora, era o Tablet.
Ainda tenho uma calculadora HP-21 e uma Sharp El-517 quem fez engenharia ou economia nos anos 70 a 80 a conhece muito bem, todos tinham, senão era ultrapassado e não conseguia fazer os cálculos rapidamente. Isso para não falar das antigas máquinas Facit que conheci em umas empresas que trabalhei, era pesada e tinha uma manivela, nela digitava os números e rodava a manivela e ouvia-se um “ra-ta-ta-ta-ta” e saia um papel com os cálculos, ela é contemporânea do Telex.
Enfim, por saudosismo e ou comodidade, ou ainda por ver alguma utilidade futura, guardo essas relíquias, para as gerações vindouras verificarem como era a tecnologia de nossa juventude.
E-mail: [email protected]