Um tour da vida por São Paulo

A viagem começa em uma noite fria de julho em 1942 na Rua Felipe Camarão no Tatuapé, depois subindo para além dos trilhos da Central do Brasil, a infância na Rua Tuiuti, Rua Visconde de Itaboraí, Rua do Ouro que hoje tem nome de padre, onde aprendi o “beabá” e as quatro operações de aritmética no ainda Grupo Escolar Visconde de Congonhas do Campo, a minha Sé, onde professei minha fé e badalei os sinos da capela de N.S. da Conceição, assisti a filmes proibidos para menores de 18 anos, quando ainda tinha 17, no Cine Leste e curti amores e desamores na querida Praça Silvio Romero, dancei para valer “Bienvenido Granda” no Cruzeirinho, Silvio Mazzuca no Flamenguinho da Rua Fernandes Pinheiro, Anisio Silva no não tão amplo salão de baile do Vila Paris na Praça Barra Dourada, pequeno mas aconchegante, nos amores da Rua Torrinha e da Rua Itapetí que deixaram marcas inesquecíveis, no escritório de contabilidade no prédio “Haway” da Rua Senador Feijó onde eu era office-boy e saia para as repartições nas ruas Florêncio de Abreu, Tobias de Aguiar, que posteriormente mudou para Rangel Pestana, sem deixar de parar nas lojas de discos da 24 de maio para ouvir “The Great Pretender” com The Platers, se deliciar com o par de esfihas e doce folheado com chantilly no Largo do Café. Outros trabalhos na Porcelite na Rua Itapura, Anakol na Caetano Pinto, Engenharia Badra no prédio do Banco de Boston no Anhangabaú.

Meu passeio continuou lindo quando aos domingos com terno novo, gravata com alfinete e sapatos, brilhando, ia para os bailes do Club Homs na Paulista, Casa de Portugal na Vergueiro, Palácio Mauá no viaduto Dona Paulina, no Clube Independência em cima das Casas Pirani no Brás ou no Clube Esportivo da Penha, claro na Penha, ao som de orquestras Los Guarachos, Clodô, Zezinho da TV, Osmar Milani, Silvio Mazzuca, Orlando Ferri e outros mais. Passeio bom demais, a minha vida deu em São Paulo, espero continuar o passeio de outro jeito, mas bom demais como sempre foi.

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