O bauru do Largo do Paissandu

Quando criança, ouvi meu tio Leonildo Torre (o alfaiate) contar fatos da cidade, ocorridos nas décadas de 30, 40 e 50. Dentre esses fatos havia um que fora contado inúmeras vezes, pois o personagem era seu amigo e ambos frequentavam o bar Ponto Chic, no Largo do Paissandu.

Esse amigo, cujo nome não consigo lembrar, mas que era nascido em Bauru – SP, por isso tinha como apelido o nome de sua cidade natal, sempre mandava o chapeiro fazer um sanduíche com presunto, queijo e rodelas de tomate, envolto em pão francês.

Como era diário o consumo de tal iguaria, quando ele entrava no bar, o chapeiro logo gritava.:
– “Saindo um á Bauru!”

O sanduíche ficou famoso, graças ao Bauru e ao Ponto Chic, que até hoje faz um sanduíche imbatível.

Esse meu tio era um bom prato, no sentido mais elevado da palavra, e costumava almoçar com muitos amigos no restaurante Leão D'Olido, que ás quarta feiras servia uma feijoada de dar inveja a qualquer grande chefe.

Ocorre que ele era diabético e por tal razão minha tia diariamente preparava um almoço dietético – com legumes, um filezinho de frango grelhadinho, umas folhinhas de alface – e levava para ele lá na alfaiataria, que ficava na Conselheiro Crispiniano.

Mal ela virava as costas para ir embora, ele chamava os empregados e entregava a refeição para que eles comessem, e ai, reunia os amigos e ia para os restaurantes.

Após uma das feijoadas no Leão d'Olido, o garçom foi até a mesa e perguntou para o Torre se ele queria sobremesa. Depois de comer feito um leão ele recusou, mas o garçom falou que tinha acabado de chegar uma melancia doce que nem mel.
– “Então traz uma!”

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