E o vento levou…

Na solidão do silêncio de uma fria madrugada paulistana, na sala estou e vem-me à memória os tempos de uma primavera florida de uma São Paulo de outrora que os anos não trazem mais e dos inesquecíveis amores da juventude ainda em flor onde tudo era sorriso, alegria e encantamento pela vida e parafraseando novamente um poeta: “dormia sorrindo e despertava a cantar…”

Áurea, Raquel, Lígia… Para onde o destino as levou e o que fez não saberia dizer, mas todas foram paixões fugazes que marcaram e que o tempo dispersou…

Leve som de passos ouço e dos devaneios saio e uma suave voz feminina:
– Você não está com frio? Feche direito o vitro, pois está ventando.
– Sim, sim… Ventando está…

Mentalmente coloco os devaneios além vitro afora… Para quem sabe os amores fugazes encontrar… E, olhando languidamente, fico esperando o vento da saudade levar…

E o ventou levou…

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