O cemitério Grena

Sim, pode parecer estranho o título da narrativa, mas eu estou relatando sobre o Clube Juventus da Rua Javari, do nosso querido bairro da Mooca, o famoso moleque travesso (era chamado assim, porque sempre ganhava os jogos contra os times grandes). Seu fundador, o italiano conde Crespi, colocou o nome Juventus em homenagem ao clube italiano com o mesmo nome, Juventus de Turim (a velha senhora).

O Juventus da Rua Javari descobriu vários craques para o futebol mundial: Julinho (Portuguesa, Fiorentina, seleção brasileira, Palmeiras; Lima, (Santos, seleção brasileira); Brecha (Santos); Pinga (Portuguesa, Vasco da Gama); Milton Buzzeto (Palmeiras); o zagueiro Alex (Santos, jogou na Inglaterra, Holanda, hoje está no futebol francês, Paris Saint Germain) e muitos outros jogadores.

Mas tem também o destino de ser chamado Rua Javari, o cemitério Grena (por ter a camisa da cor grena). Muitos craques da seleção brasileira e grandes clubes encerraram suas carreiras no Juventus, por exemplo, o grande goleiro Oberdan Catani (Palmeiras e seleção); o zagueiro Homero (Corinthians); Roberto Belangero (Corinthians); Rodrigues Tatu (Palmeiras e seleção); Lanzoninho (São Paulo); Rafael Chiarela (Corinthians); Baltazar (Corinthians e seleção); Luizinho (Corinthians, o Pequeno Polegar); Gino Orlando (São Paulo e seleção); Bataglia (Corinthians); Amaral (Portuguesa) e muitos outros jogadores que terminaram no cemitério Grena.

Hoje, o Juventus está na terceira divisão do futebol paulista, foi um pequeno grande clube do futebol paulista, fez partidas memoráveis contra os times grandes de São Paulo. Sempre vencia os jogos, principalmente contra o Corinthians, sempre de 1×0 gol de Ataliba, até que o Corinthians o contratou e ele foi um grande artilheiro no Timão.

Certa vez, o Juventus, no jogo contra o Corinthians, estreou um jogador de nome da Silva, ele fez um golaço de bicicleta, o Juventus venceu o jogo e esse jogador desapareceu, até hoje ninguém sabe onde ele foi parar, o Juventus também em uma quarta-feira à noite no Parque Antártica venceu o Palmeiras, 2×1, quando houve o maior “quebra-pau” entre os jogadores, o falecido goleiro Miguel bateu em meio mundo, brigou com Luis Pereira e muito mais, foi uma briga feia.

Mas hoje o simpático moleque travesso está na terceira divisão do futebol paulista. Quem sabe um dia ele volta à elite do futebol paulista. E os grandes craques encerram a carreira no cemitério Grena.

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