Quatro irmãs

Todas nascidas no interior de Sampa. A história da família do vovô começou na fazenda Diamante do Coronel Alfredo, a poucos km da cidade de Lins onde ele trabalhava como administrador. Tinha também mais dois filhos, sendo a mamãe a mais velha.

Na década de 40 com o desenvolvimento da região da Alta Paulista meu avô deslocou se para cá, vindo morar e trabalhar na comarca recém formada Vera Cruz, onde as mulheres cresceram e casaram-se. A mamãe logo aprendeu a costurar (fez curso de corte e costura) quando pequena, profissão essa que a acompanhou por toda sua vida.

Foi a primeira que migrou para a capital Paulista vindo morar no bairro do Tatuapé, seguida posteriormente pela sua irmã Aninha, vindo morar no bairro de Santo Amaro.

24 primos, sendo, oito mulheres e 16 homens, com 12 morando na capital e 12 no interior. Nós éramos ainda pequenos quando da viuvez da vovó passou a morar com a tia Maria, tornando-se esse o local de reunião de toda a família.

As férias maravilhosas que ali passamos, os casamentos, aniversários, Natais, Carnavais, Batismos e as Bodas de Prata, onde, espalhavam-se colchões por todos os cômodos para nos acomodar, chegando a ter mais de 40 pessoas reunidas.

Ainda pequeno, lembro- me do fogão à lenha, banho de bacia que era dado pela tia Antónia, do pão caseiro feito no forno à lenha, o sabão que era feito das tripas de porco com a cinza do fogão, linguiça feita em casa e cozinhava-se com gordura de porco.

Nos finais de ano a “pamonhada” cozida no tacho de fazer sabão (mais de 400) e nos carnavais o bloco montado pelos primos. Já adolescente, iniciou-se o intercâmbio familiar. Os primos do interior vindo morar conosco em Sampa e alguns de nós indo para o interior estudar.

Mas, quis o destino privar a família dessa casa, levando embora a tia matriarca Maria, deixando as lembranças descritas acima, choramos de saudades. Ficaram a mamãe Helena (93), Aninha (84) e a Antónia (80), mas todas lúcidas ainda.

A mamãe começa a encher a banheira para tomar banho, põe um pé dentro da banheira, faz uma pausa e grita:
– “Aninha você sabe se eu estava entrando ou saindo da banheira.”
– “Não sei, mas, já subo ai para ver…”
Começa a subir as escadas, faz uma pausa, e grita:
-“Antónia eu estava subindo as escadas, ou descendo.”

A tia Antónia que estava na cozinha tomando chá, move a cabeça e pensa: Na verdade, espero nunca ficar assim tão esquecida, bate três vezes na madeira da mesa, e logo responde:
-“Já vou ajudá-las, antes vou ver quem está batendo na porta.”

Venham, apareçam para conhecê-las e tomar um cafezinho. Garanto que o café é daqueles que após coado exala aquele cheiro delicioso que invade todo o recinto da casa.

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