O termo chocólatra é empregado para designar a pessoa viciada no uso do chocolate. É uma palavra que soa mal, é feia, pois implica em um vício. Para as pessoas que simplesmente gostam de chocolate, que o degustam com satisfação, certamente a classificação deverá ser “chocófilos”, pois o sufixo filos significa exatamente ter afinidade, gostar, admirar.
Em tempos de antanho, os alunos em determinadas ocasiões presenteavam suas professoras ou com uma fruta, em geral uma maçã, ou com um bombom. Quantas pessoas queridas ou homenageadas recebiam (talvez ainda hoje aconteça) caixa de bombons. Ou seja, o chocolate sempre foi, desde tempos imortais, um motivo de prazer e de homenagem. Isso mostra sua importância, a admiração e o prazer que causa em pessoas sensíveis.
A história do chocolate é muito bonita, riquíssima em detalhes e nos reporta a muitos séculos. Inclui lendas, religião, violência, disputas e muita beleza. Desde seu uso, a partir da pura amêndoa de cacau, inúmeras pesquisas e processos levaram-no ao estado atual. Essas “elucubrações” povoaram meu bestunto por um tempo, principalmente quando eram acompanhadas de uma barra de chocolate. Vieram à minha mente lembranças de muito tempo atrás, em que me vi na companhia de minha mãe, frequentando por duas ou três vezes seja a Vienense, seja a sala de chá do Mappin. Além do chá, de biscoitos e doces, bolos, serviam também o delicioso, denso e perfumado chocolate (salivo ao pensar nisso). É só observar a atual multiplicação de casas especializadas na venda do produto em São Paulo para poder se avaliar a preferência do paulistano pela iguaria. Há os que o preferem do tipo amargo, outros com leite, outros ainda o branco. Cada um deles apresenta características próprias não só pelo gosto, como de propriedades.
Muito se tem publicado sobre essa iguaria, alguns artigos condenando-a em parte, outros elogiando-a. Naturalmente, nós, “chocófilos”, damos enorme importância aos da segunda categoria. Qual papai coruja não tem fotografias de seu rebento com a face envolvida por névoas marrons de chocolate mal direcionadas e não as mostra com orgulho incontido? Quantas pessoas se dirigem à maravilhosa Campos do Jordão desejosas, não só de se maravilhar com suas belezas como também para degustar seus magníficos espécimes de chocolate? Quantos avôs, embevecidos pelas traquinagens de seus netos não veem a hora de preparar uma chocolatada para os ditos cujos e, naturalmente, tomar suas xícaras também? Meus pais fizeram isso com minhas filhas.
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