No ano de 1961, eu estava trabalhando na cidade de São Paulo, onde nasci e voltei por um bom emprego. Na época, eu fazia propaganda médica para o laboratório Docta-Fadis, com sede no Rio de Janeiro. Resolvi ir até uma loja Ducal para adquirir um terno, pois o único que eu tinha já estava um pouco puído… Entrei, fui muito bem atendido por um vendedor e em seguida fui ao depto. de crediário para finalizar a compra. Quem me atendeu foi o chefe de crediário que, ao ler a ficha com meus dados, comentou:
– Você mora em Campinas? Eu tenho uma irmã lá, casada com um oficial da Escola Preparatória de Cadetes do Exército!
– Quem é ele? – perguntei.
– É o capitão Victor!
– Vitão? – perguntei.
– É ele mesmo! Você conhece?
– Claro! Servi o exército em 56 e conheço muitos oficiais da Expcex.
– Puxa, se você conhece meu cunhado, você é meu amigo também!
E lá veio o convite:
– Venha trabalhar conosco, pois aqui você vai ganhar bem mais que no seu atual emprego!
Após preencher o formulário para novo emprego, lá fui eu trabalhar na Ducal SP 3, loja do Braz, na Av. Celso Garcia, esquina de Rubino de Oliveira. Os nomes que citarei são fictícios e verão mais adiante por que… O chefe do depto. de pessoal, Sr. Villa, me informou que a vaga para vendedor de roupas tinha sido preenchida, portanto… Ah! Mas havia outra vaga: a de subchefe da secção de roupas para meninos e rapazes, e lá fui eu cumprir mais uma missão.
Nessa época, eu já tinha 25 anos e precisava me ajeitar, pois meu sonho era conseguir uma companheira para juntos começarmos uma nova família! Rapidamente fui assimilando toda a rotina da Ducal e em seis meses fui guindado a condição de chefe da loja, o que muito me agradou. Mal sabia eu que a alegria iria durar só mais alguns meses…
Acontece que o gerente da loja morava no 7º andar do mesmo prédio e na hora do café subia para o apartamento e levava alguns funcionários consigo e faziam a maior festa, quase todos os dias… Um verdadeiro café dançante no apartamento… O que acontecia lá dentro não sei, mas os comentários eram muitos. O chefe do crediário também acompanhava o gerente e cada um tinha a sua funcionária preferida. Eu tinha uma funcionária da seção de pacotes, que também frequentava o apartamento e, como um dia notei que ela não voltava, tendo já se passado mais de meia hora, solicitei a uma outra funcionária que fosse chamá-la, porém a mesma não gostou e citou o fato de estar com o gerente que, claro, era meu superior.
Não gostei do fato e chamei sua atenção, dizendo que não toleraria novo atraso. Eu, nessa época, era incumbido de depositar o movimento do dia anterior no banco Irmãos Guimarães e em seguida me dirigia até a Ducal SP 1, Rua Direita, onde ficava a diretoria de São Paulo. Lá eu entregava o relatório do dia anterior e os recibos de depósito efetuados. Nessa época, algumas vezes, fui convidado pelos diretores, Vasconcellos e Souza Reis, para batermos um papo na sexta-feira após a saída do expediente, em um piano bar da Rua Augusta, ocasião em que conheci a Dona Rosa, secretária de um dos diretores.
Acontece que eu me interessei pela Dona Rosa, mulher inteligente e bonita, com uma filha e desquitada. Dona Rosa, por coincidência, também morava no mesmo prédio da Ducal do Braz… Havia aí um problema muito sério que eu desconhecia: um dos diretores era apaixonado pela Dona Rosa. Esse diretor foi avisado por um gerente de outra loja que eu fui visto no Cine Metro abraçado com a Dona Rosa, portanto, namorando sua secretária! Não deu outra! Fui chamado em uma manhã pelo diretor que me inquiriu, "como eu sendo um simples chefe de loja, estava namorando a secretária dele?” Como eu estava gripado, ao ouvir tal comentário, simplesmente lhe disse que, se ele quisesse tratar comigo sobre tal assunto, não poderia ser dentro da empresa, mas sim na rua, e me retirei certo de que seria despedido…
Na verdade não saí da empresa na época, continuei trabalhando normalmente. O pior viria depois… Novamente fui chamado por um diretor que pegou pesado comigo, pois ele queria saber o que acontecia com o gerente e o chefe do crediário mais algumas meninas no apartamento do 7º andar.
– Como é que o senhor, pessoa de confiança da diretoria, pois até sai conosco à noite, não teve coragem de relatar o que acontece na SP 3?
Respondi ao mesmo:
– Senhor, não sou delator! Os senhores é que deveriam exercer uma fiscalização mais apurada junto as lojas!
Bem, a coisa ficou feia e os participantes foram todos despedidos perante todos os funcionários (vinte e dois), ocasião em que o diretor FSR me perguntou:
– Quem o senhor acha que deverá assumir a gerência da loja?
– Eu tenho, lhe disse, um forte candidato para o cargo, o senhor FS da seção de roupas!
– Sr. Gastão, eu estava certo que o senhor se ofereceria para ser nosso novo gerente!
– Negativo senhor FSR, estou saindo da empresa no fim do mês, o que realmente fiz.
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