Navegando a procura de informações sobre a história do Colégio Paes Leme no período de 1952 a 1958, no qual cursei o ginásio, deparei com vários depoimentos de pessoas com grande sensibilidade e amor a cidade de São Paulo, que nesta época era tão romântica e mais humana.
Lembro-me do Colégio Paes Leme dirigido pela família Rossi: Sr. João, Antonio Oswaldo, Sr. Gonçalves, Sr. Humberto que cuidava dos alunos semi-internos com um rigor digno de um quartel. Fiz admissão com a Prof. dona Mariana. Depois, no ginásio, com professores que além de amigos eram competentes e exigentes, tinham satisfação em ensinar. Posso citar o professor Mozile, que lecionava Português; Edson (bola sete), que lecionava Francês e Inglês; o Zé Maria, de História; dona Erna, esposa do Sr. João, que nos ensinava trabalhos manuais e desenho; Carlos Knochia, Matemática, que teve uma passagem trágica na história do colégio; dona Celina, muito bonita e querida pelos alunos que nos ensinava latim (língua morta que se estudava na época); Oswaldo Mellantonio, Português, professor alto astral e brilhante que nos dava grande alegria e interesse em assistir suas aulas; o professor Kato, que nos dava aula de ginástica e esportes que sempre eram bem recebidos e inúmeros outros que o tempo não me ajuda recordar.
Lembro-me que o Colégio Paes Leme era extensão de nossa família, exemplo disso era que o professor João quando verificava que eu faltava na escola mais de alguns dias ligava para casa e perguntava para meu pai ou minha mãe o motivo das faltas para checar se eu não estava cabulando aulas. Lembro-me de meus colegas de classe como Wagner, filho do Sr. João e dona Erna, dos irmãos Amandio Campos e Aparecida Campos (cidinha Campos, atuante deputada no Rio de Janeiro), Nascimento, Leonel Rossi (hoje atuantes na área de Turismo), Vlademir Sperandeo, empresário que mantenho contatos até hoje, Basile famoso Ortopedista, Brogiollo já falecido, Madalena Darci, Etelburga, Marilda, Marisa e muito mais.
O nosso grêmio chamava-se Grêmio Euclides da Cunha que patrocinava anualmente a eleição para a aluna mais bonita, o professor mais simpático etc. Eram vendidos os votos ao Grêmio para financiar bailinhos e outras atividades pertinentes. Era uma época divertida, o Colégio ficava muito agitado com a campanha política interna para eleger os candidatos. Como eu morava na Rua Oscar Freire, esquina Mello Alves, eu tinha duas formas de me locomover para o colégio. Era o de caminhar pela Rua Oscar Freire até Rua Augusta para tomar o Troleibus Jardim Europa ou me dirigir até a Avenida Rebouças, que era mais próximo e pegar o ônibus que vinha de Pinheiros.
Existia uma grande rivalidade entre os alunos do Dante Alighieri e os do Paes Leme; os meninos que queriam namorar com meninas do Dante e vice-versa causavam várias brigas que se situavam no Parque Trianon, local agradável na época onde se passeava e namorava. As brigas eram constantes. Outra rivalidade era a Esportiva com o Colégio São Luiz: havia brigas que até os padres do São Luiz se envolviam, mas eram brigas só de socos e pontapés. A TV Record patrocinava na época o campeonato de futebol entre Colégios e os maiores competidores, salvo lapso meu, eram São Luiz, Paes Leme, Rio Branco, Mackenzie etc.
Alguns desfiles em feriados pátrios eram na Avenida Paulista, desfile de fanfarras dos colégios e também concursos de melhores fanfarras também patrocinadas pela TV Record na época. A vida era mais simples, a gente curtia o Cine Magestica, quase vizinho do Colégio Paes Leme; o Cine Paulista que no advento do “Rock and Roll” foi palco de depredações na exibição do filme “O balanço das horas”, com Bill Halley e seus cometas Platters Elvis Presley etc. O frevinho, as corridas de automóveis no Morumbi, nas pistas ainda vazias onde estava sendo construído o Hospital Albert Einstein, e severamente punida pelas autoridades policiais da época.
Os bondes que percorriam a Avenida Paulista desciam a Rua Pamplona tendo o seu ponto final à Rua Veneza. O romantismo da frequência dos alunos do Paes Leme Liceu Eduardo Prado mesclado com as alunas de uma escola de Freiras na Rua Pamplona com uniforme de saias xadrezas, a amizade com os motorneiros (que eram os que dirigiam os bondes), as visitas ao restaurante Camelo, que na época vendia esfihas e kibes, caminhadas até o lago do Ibirapuera, inaugurado em 1954 onde alugam pequenas lanchas para navegar, onde no centro do lago havia um restaurante. Saudades, saudades, saudades.
E-mail: [email protected]