Cafelândia (SP), 1953.
Meu coração estava comprometido com um jogador de futebol de São Paulo, morador do Jardim da Glória, desembarquei em novembro de 1953, na Estação da Luz, pela linha Noroeste do Brasil. O casamento estava marcado para o dia 23 de janeiro de 1954, na igreja de Santa Margarida Maria.
Jovem do interior, naquele momento, o transporte do vestido para São Paulo era minha maior preocupação. Via Correio seria muito impessoal e sujeito a riscos, sem falar nos desvios. Somente eu, a noiva, poderia ser a melhor guardiã da elegante encomenda – feita de renda valenciana com camadas de tule.
A encomenda causou estranheza aos passageiros e também ao bilheteiro e me tornei alvo de inúmeros olhares. “Entubado” em cartolina, revestida com papel de seda, o vestido, em pé, parecia “um foguete”.
Pelo tamanho e forma da encomenda, o bilheteiro, de forma curiosa, perguntou se eu carregava ali uma “bomba”. Sem hesitar respondi, satisfeita e alegre, que se tratava de meu vestido de noiva. Uma felicidade tomou conta do vagão e o bilheteiro, rindo, disse que até o desembarque seria ele quem escoltaria o vestido até seu destino final.
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