Vania, agora estou a dançar com você, estamos sozinhos na sala e é um baile familiar, poucos convidados, comemora-se o passar no vestibular de seu irmão Cesar, ele irá cursar Engenharia na USP; Vania você percebeu que todos os convidados foram para o jardim da casa no intuito de nos deixar a sós, eles pressentiram que algo entre nós estaria acontecendo; a noite está agradável, existe a paz, pudera, estamos em plena década dos anos 60, época bucólica se apresenta, então Vania, permita que eu coloque o meu rosto colado ao seu, é mágico o momento, afinal, modéstia a parte sou um rapaz educado, educação esta que devo muito a minha adorada mãe e meu padrasto, seu rigor era elogiado por todos.
Vania, é impressão minha, mas você está trêmula e seu corpo deseja encontrar com o meu, sinto a emoção no ar nesta sala agora, não é para menos, na vitrola “stereo” da marca RCA soa uma música deveras emotiva, Ray Connif e coral nos embala com a canção Moonglow, tema do filme Férias de Amor, que por curiosidade está passando no Cine Hollywood, lá na Voluntários da Pátria do carismático bairro de Santana.
Vania, desculpe a franqueza você está linda, ainda é aquela gatinha que pegaria na saída da escola escondido dos olhares severos de seu pai. Vania, sob o acorde dessa canção vou te beijar, desculpe o meu impulso, não posso esconder esse desejo, eu te amo, tenho agora a coragem de declarar este sentimento, sinto o seu perfume vindo dos seus lindos cabelos, permita-me acariciá-los, será paixão, estou sonhando, pergunto ao coração; é realidade, meu Deus como sou romântico, nem sei por que nasci assim neste mundo materialista.
Vania, não estou delirando, você me encara com estes olhos tão meigos como uma flor, consegui seu amor? Para todo sempre… consegui? Acordamos, temos que nos preparar para pegar o coletivo, aliás, vem lotado, moramos longe do centro, o trabalho naquela máquina de escrever Remigton nos espera, temos que bater o ponto pontualmente às 8h00. Trim… trim… trim. Utopia, fantasia, devaneios…
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